Educação - undefined·31 de agosto de 2018

PARÁ: Cursos técnicos podem preencher lacuna deixada por Educação Básica no ensino de jovens

Por Agência do Rádio
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Por Sara Rodrigues

Aos 20 anos, Henrique Matheus, mora em Belém. Ele nasceu no município de Ourém, e quando completou a maioridade decidiu percorrer 140 quilômetros até a capital para encontrar mais oportunidades de trabalho. Assim que chegou na cidade, percebeu que precisava se capacitar e ter especialização em alguma área. Dessa forma, seria mais fácil de encontrar um emprego. Por gostar muito da área de mecânica, decidiu fazer um curso técnico.

“Era mais rápido e também cabia no meu bolso. Me indicaram o SENAI, eu procurei e tive uma facilidade maior. Esse curso foi importante porque facilitou a ingressar na área. Era algo que me chamava atenção e que abriu as portas do mercado de trabalho para mim” conta o paraense.

Henrique também foi medalha de prata na última Olimpíada do Conhecimento – competição nacional de educação profissional e de tecnologia – e está realizado, profissionalmente, com o emprego de auxiliar de mecânico de empilhadeira em uma grande empresa da indústria local.

Isso foi possível uma vez que Henrique entendeu que o nível de escolaridade dele estava abaixo do requerido no mercado de trabalho. A realidade é essa para muitos jovens que também concluem o Ensino Médio no Pará. De acordo com o resultado do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), o Pará teve nota abaixo da média nacional. Enquanto a média brasileira teve nota de 3.7 em 2015, o Pará ficou com 3,1, seis pontos abaixo.

A professora da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem, explica que o Brasil ainda não oferece uma Educação Básica completa e que permite ao jovem boas oportunidades no mercado de trabalho.

“Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir a matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência e tecnologia, vamos viabilizar novos entendimentos”, explica Barem.

Lacunas na Educação Básica

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) comprova que existem lacunas deixadas pela Educação Básica que agravam as dificuldades do país se desenvolver econômica e socialmente. Assim, as propostas para o Ensino Técnico são de melhorar e assegurar o futuro dos jovens no mercado de trabalho.

“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e certamente gerar mais riqueza, bem-estar, competitividade para as empresas e para o país”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi.

Setores da indústria mais populares

No Pará, o carro-chefe da indústria é o setor de extração de minerais metálicos, responsável por 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado. A construção está logo em seguida, gerando 30,3% do PIB estadual.

“Hoje nós estamos trabalhando fortemente por demanda identificada. São visitas que nós fazemos dentro das indústrias, e lá são identificadas demandas, e lá nós fazemos essa oferta devidamente direcionada a essa demanda customizada”, relata a diretora de educação e tecnologia do SENAI do Pará, Lúcia Peres.

Ela explica, também, que as áreas da indústria com a maior demanda de mão de obra são na área de eletromecânica inserida dentro da mineração. Além da eletrotécnica, ligada à energia.
Até 2020, 280 mil trabalhadores devem ser qualificados e passar por treinamentos para atenderem às expectativas das empresas da indústria.

Indústria 4.0

O nome de batismo faz referência à 4ª Revolução Industrial. Desde 2010, a Indústria 4.0 tem sido observada como avanço nas tecnologias contemporâneas. Entre as ferramentas mais recentes existe, por exemplo, a rastreabilidade – que é a possibilidade de decifrar qual é o ciclo de vida de determinado produto, desde a criação até o descarte.

Além disso, foram criadas outras ferramentas, como a visão artificial e a cloud computing, que é uma nuvem online utilizada como armazenamento de dados e arquivos. Todas essas ferramentas têm como objetivo aumentar o ganho de produção, apresentar transparência nos negócios, aumentar a segurança e reduzir os erros. Além de promover a conservação ambiental e o aumento da qualidade de vida.
 

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