Mais um ministério na Esplanada. Uma pasta que está sendo preparada para tratar da prevenção e combate à violência no país. Diante do avanço alarmante da criminalidade nos últimos dias, principalmente no Rio de Janeiro durante o Carnaval, o Palácio do Planalto estuda criar o Ministério Extraordinário de Segurança Pública.
O novo departamento do governo federal assumirá toda a área relacionada à segurança que hoje é regida pelo Ministério da Justiça: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e Departamento Penitenciário Nacional. Busca-se um nome que tenha autoridade no combate ao crime organizado, principalmente no Rio de Janeiro.
O presidente deve fugir de indicações políticas e partidárias, mas alguns nomes já começam a ser especulados: o do ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho, o sub-chefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, e o ex-secretário de Segurança Pública do Rio José Mariano Beltrame. Fleury já foi um que, antes mesmo de ser oficialmente convidado, declarou não querer segurar esse rojão.
O ministro-chefe da Secretaria da Presidência, Carlos Marun, disse que Temer é o principal incentivador da pasta. Ele teria se alarmado com as imagens dos vídeos e casos de violência registrados nos últimos dias e divulgados na TV e nas redes sociais.
“O presidente, sem dúvida alguma, ficou, como acredito que todos nós, chocados com algumas situações de violência extrema e até de aparente descontrole que se evidenciaram em alguns pontos do Brasil nos últimos dias. Então, ele é quem estimula nesse momento a existência dessa discussão ainda em nível interno do governo.”
Marun nega que a criação da pasta seja mais uma das medidas que o governo vem articulando para agradar parlamentares – neste caso os da bancada da segurança pública – em busca de apoio e votos para a reforma da Previdência. A proposta está marcada para ser colocada em pauta e aberta à discussão na próxima terça-feira, 20 de fevereiro.
“A eventual criação do Ministério da Segurança Pública nada tem a ver com Previdência. São coisas absolutamente separadas. Não vai ser utilizado no sentido político de busca de voto.”
Pelo sim, pelo não, a decisão de criar uma medida de controle da violência tira um pouco do foco a votação da reforma da Previdência e seu eventual fracasso em plenário. O Ministério da Segurança Pública deverá ser criado por meio de uma medida provisória.
De Brasília, Hédio Júnior