Saúde - undefined·11 de dezembro de 2018

O HIV não é sentença de morte. Faça o teste e descubra sua sorologia

Por Agência do Rádio
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Uma história de vida com muitos altos e baixos todo mundo tem, mas imagina você, depois de ter sofrido todos os tipos de violência desde a infância, ainda descobrir que tem HIV no momento em que amamenta duas crianças? Isso foi o que aconteceu com a Sandra Maria Pereira, hoje com 51 anos. A assistente social e representante estadual de São Paulo do Movimento Nacional de Cidadãs Posithivas, viveu todo esse drama pouco tempo antes de o país quebrar a patente de medicamentos, em 1996, e passar a oferecer o tratamento. Ou seja, ela, e as crianças tiveram que contar com a sorte.

“Eu trabalhava em uma construtora e teve um chamamento para colher sangue e eu fui doar, e daí 15 dias eu fui chamada. Aí, foi desespero, né? Eu estava mesmo, na época falava contaminada, né? E amamentando uma criança de dois pra três anos, a minha sobrinha, e o meu filho de sete meses, né? A minha sobrinha, a gente fez a testagem e já veio não reagente. O meu filho, ele não chegou a se infectar, mas eu cheguei a passar anticorpos, acho que é pelo leite e ele soroconverteu (eliminou o vírus). Porque há essa possibilidade, né? Não é via de regra, mas na época não tinha medicação.”

De acordo com o médico infectologista, Werciley Júnior, a sorte na verdade tem uma explicação científica.

“A mãe quando amamenta, ela passa anticorpos e se ela possuir o vírus, tem chance desse vírus também ser transmitido ao bebê. A gente sabe que não é uma certeza absoluta na amamentação se vai transmitir ou não, mas é uma chance muito grande. Então provavelmente o que aconteceu com essa criança? Ela amamentou, sim, a mãe transmitiu pra ele anticorpos, e provavelmente a mãe tinha uma carga viral baixa, e com isso não teve transmissão para essa criança. Então, falar de soroconversão é o mesmo que falar que ela teve HIV, então a criança não teve soroconversão, já que ela tem exames em que ela tem a carga viral negativa.

A assistente social já tinha convivido com o vírus por perto antes. No ano em que teve seus filhos, havia perdido um tio para a doença, mas, mesmo assim, a forma como a notícia lhe foi dada, pareceu uma sentença de morte. O momento também não era o melhor. Ela queria contar com o filho mais velho para cuidar do irmão, caso algo a acontecesse, mas acabou descobrindo o envolvimento dele com as drogas.

“Eu fui pessimamente acolhida na época. Foi uma coisa horrível a notícia como foi me dada. Então assim, uma coisa que eu sempre faço pelas Cidadãs Posithivas é o acolhimento, porque isso me faltou muito. Na época, quando meu filho se envolveu com droga, eu me vi sem chão. E eu me preparando pra morrer, eu já estava ali. E naquele momento o Matheus puxou a minha roupa e falou assim: ‘Não, mamãe, não morre, não, eu preciso de você, eu tô aqui’. Então, a partir daquele momento, eu decidi que eu ia reescrever a minha história.”

Sandra escreve sua história de mais de 23 anos vivendo com o vírus. Hoje, a sua trajetória é sua munição na luta contra o vírus que continua acometendo e transformando a história de muita gente. A diferença é que o HIV não precisa mais ser uma sentença de morte. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos do Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br Ministério da Saúde, Governo Federal.

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