LOC: Por meio do Programa de Controle da Tuberculose, o Ministério da Saúde tem procurado caminhos para erradicar a doença no Brasil. Os pacientes portadores do vírus do HIV demandam uma atenção especial por serem mais vulneráveis. No ano passado, das 10.183 pessoas diagnosticadas com Tuberculose no Estado do Rio de Janeiro somente 73% fizeram o teste para identificar o HIV. O aparecimento da Aids foi um dos motivadores para o aumento dos casos da Tuberculose no mundo, na segunda metade do século 20, após um período de queda nos índices. É o que explica a coordenadora doPrograma Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde,Denise Arakaki.
TEC/SONORA: Denise Arakaki, coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde.
“No mundo todo, a Tuberculose vinha diminuindo até quando o HIV apareceu. As pessoas ficaram imunodeprimidas e os bacilos, que estavam dormindo nessas pessoas, acordaram a Tuberculose. Ela começou a emergir em vários países. Em 1993, a OMS, que é a Organização Mundial da Saúde, declarou a Tuberculose como uma emergência porque ela começou a reaparecer e o Brasil, em 2003, também declarou a Tuberculose uma prioridade do governo, porque no Brasil aconteceu o mesmo fenômeno.”
LOC: O tratamento para ambas as doenças é oferecido pelo SUS. Na Tuberculose, o tratamento é feito exclusivamente pela rede pública, com medicação gratuita e duração de no mínimo seis meses. Em hipótese alguma a medicação e o acompanhamento médico devem ser interrompidos antes desse prazo. Os pacientes começam a melhorar depois de algumas semanas, mas não significa que estão curados. Ao parar de se tratar, eles correm o risco de desenvolver a Tuberculose mais resistente e o método utilizado pode chegar a dois anos. Em Niterói, o Grupo Pela VIDDA é uma Ong que dá suporte para os pacientes com Aids. Entre suas metas está o de oferecer suporte para os doentes não desistirem. Para o presidente do Grupo Pela VIDDA, Ignácio Queiroz, vencer a Tuberculose depende de um esforço entre o poder público e a sociedade civil.
TEC/SONORA:Ignácio Queiroz, presidente do Grupo Pela VIDDA.
“A Tuberculose e a Aids, realmente, são uma martelada. Na Tuberculose, por exemplo, tem umas questões que são mais agravantes ainda. Normalmente, de perto, a gente vê que a Tuberculose ataca qualquer classe social, mas as menos privilegiadas, que estão com maior dificuldade, são essas as mais vulneráveis e essas as que são mais afetadas pela Tuberculose. E também, falta de incentivo, esclarecimento sobre a doença. É uma série de desafios que o poder público tem e a sociedade civil também observa isso e tenta de uma forma ou de outra somar com o poder público, contribuir.”
LOC: Além de medicamento e assistência médica, esses pacientes precisam receber apoio das pessoas próximas. Não são necessárias medidas como isolar o doente de Tuberculose ou separar seus pratos e talheres. A contaminação ocorre apenas pela tosse, fala ou espirro e é favorecida por ambientes escuros e poucos ventilados. Após 15 dias de tratamento, as pessoas deixam de transmitir o bacilo e podem retomar sua rotina normal. Quando o paciente de Tuberculose tem informações adequadas e recebe apoio da família, de amigos ou das organizações sociais, ele pode até mesmo usar sua história para ajudar outras pessoas. É o que Ignácio Queiroz tem presenciado em sua ONG.
TEC/SONORA: Ignácio Queiroz, presidente do Grupo Pela VIDDA.
“Essas pessoas, algumas delas, passam também a ser ativistas. Continuam fazendo o seu trabalho, mas também continuam fazendo palestra sobre a Tuberculose, falando ‘eu já tive a Tuberculose e a gente fica bom’ e conta sua própria experiência, suas angústias, o que sentiram, quando teve Tuberculose.”
LOC: Fique atento à tosse, que dura mais de três semanas, e procure uma unidade de saúde. Pessoas que estiveram com o doente antes do início do tratamento também devem fazer o diagnóstico. Tuberculose tem cura. Para mais informações, acesse saude.gov.br Ministério da Saúde, Governo Federal.