Brasil - Saúde·29 de agosto de 2025

Nariz entupido o tempo todo pode ser polipose nasal; entenda

Condição é uma forma de sinusite crônica marcada pela formação de lesões na cavidade nasal e nos seios da face; especialista detalha fatores de risco e cuidados

Por Bianca Mingote
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Foto: Freepik

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Nariz entupido com frequência, perda de olfato e crises respiratórias. Estes sintomas não são apenas incômodos passageiros e podem indicar polipose nasal – uma forma de sinusite crônica marcada pela formação de lesões na cavidade nasal e nos seios da face, chamadas de pólipos. A condição, segundo especialistas, afeta a qualidade de vida. exigindo diagnóstico precoce e tratamento médico para evitar complicações.

Luiz Vicente Rizzo Castanheira, especialista do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, alerta que os sintomas da doença podem ser confundidos com resfriados ou crises de rinite. No entanto, a condição costuma apresentar sintomas mais persistentes e intensos, segundo Castanheira.

Confira os sintomas mais comuns da polipose nasal:

  • Obstrução nasal persistente;
  • Diminuição ou perda completa de olfato em alguns casos;
  • Infecções frequentes com uso repetido de antibióticos.

Polipose nasal e condições respiratórias

O otorrinolaringologista explica que a polipose nasal ocorre devido a uma inflamação crônica da mucosa da região da face. Quanto mais intensa for a inflamação, completa Castanheira, maior o número e o tamanho dos pólipos. 

“A polipose nasal acaba gerando uma obstrução das vias de drenagem dos seios da face. Então mesmo tendo uma sinusite crônica e com essa formação de pólipo, podem acontecer episódios de crises de sinusites agudas decorrentes dessa obstrução da via de drenagem do seio da face que a polipose nasal gera.”

Castanheira destaca que a doença costuma aparecer acompanhada de outras condições respiratórias, como rinite alérgica, asma e sinusites recorrentes. 

“A polipose nasal, por ser um processo crônico da mucosa respiratória da via aérea superior, tem relação também com doenças crônicas inflamatórias do trato respiratório inferior. Então tem uma certa associação da polipose nasal com doenças como a asma, por exemplo, que são doenças crônicas inflamatórias da via aérea inferior”, elucida.

Sinais de alerta e tratamento precoce

Como a polipose nasal afeta o sistema respiratório, o otorrinolaringologista destaca que as pessoas com fatores de risco – como histórico de asma ou alergias respiratórias – devem procurar um especialista assim que os sintomas ficarem frequentes.

Conforme Castanheira, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar o avanço da doença.

“Quanto antes a gente consegue fazer o diagnóstico, mais cedo a gente consegue fazer o tratamento e normalmente o tratamento clínico com medicamento de isotópico nasal, por exemplo, acaba sendo suficiente para poder fazer um controle adequado da lesão, evitando que tenha uma maior quantidade de lesões e um maior impacto na qualidade de vida”, aponta Castanheira.

Tratamento

A doença não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento depende da gravidade do quadro do paciente. Segundo Castanheira, os casos mais leves, com poucos pólipos, podem ser tratados com sprays nasais e acompanhamento médico. 

“Então, com o uso desse tipo de medicamento, nós conseguimos algumas vezes até reduzir o tamanho do pólipo nasal e conseguir abrir as vias de drenagem dos seios da face, reduzindo os episódios de sinusites agudas”, pondera o otorrinolaringologista.

Já as situações com maior grau de complexidade exigem cirurgia para remoção das lesões.

A indicação do especialista é de que o acompanhamento seja multidisciplinar – envolvendo otorrinos, pneumologistas e alergologistas – especialmente caso haja doenças crônicas associadas. 

De acordo com Castanheira, alterações climáticas como tempo seco, frio, úmido ou quente não influenciam na evolução da doença. No entanto, a população deve redobrar os cuidados nos períodos em que a circulação de vírus respiratórios é mais intensa, como no inverno.

“Na época de inverno, por exemplo, em que há uma circulação maior de vírus e bactérias, há um risco maior nessa época do ano de ter mais episódios de agudização, mas não por conta do clima em si, mas por conta da maior circulação de agentes patológicos como vírus e bactérias”, salienta o especialista.

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SOBRE

Bianca Mingote

Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), é repórter do Brasil 61 desde 2024. Passou pelas redações da Rádio Senado, Secom (UnB) e do Correio Braziliense (CB). Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil.

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