O número de estudantes que concluem cursos de engenharia é baixo no Mato Grosso por conta da alta taxa de abandono da graduação superior.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, mostram que dezessete mil e quatrocentos alunos fizeram matrículas em 72 cursos de engenharias oferecidos por instituições públicas e particulares de ensino superior no Mato Grosso, no ano passado.
Deste total, apenas pouco mais de cinco mil e trezentos alunos mato-grossenses ingressaram nos cursos e quase dois mil e quinhentos desistiram da graduação antes da formatura. Os alunos formandos foram apenas mil e seiscentos e setenta e quatro.
Para o especialista em Engenharia da Universidade Federal do Mato Grosso, Danilo Souza, a baixa qualidade do Ensino Médio, em especial nas ciências exatas, como matemática e física, contribui para a evasão nos cursos superiores de engenharia.
“Temos que discutir com os estados e municípios a melhoria do Ensino Básico para que tenhamos estudantes melhores. E, em outro processo inverso, industrializar o país para oferecer uma condição de renda maior para os trabalhadores, para que nós possamos formar estudantes melhores no ciclo básico, com habilidades e competências mais definidas, inclusive, fortalecendo as engenharias que são fundamentais para o país.”
De acordo com projeção do Instituto de Pesquisas Aplicadas, o IPEA, o mercado de trabalho no Mato Grosso deve empregar mais de seis mil e quinhentos engenheiros – mas apenas em 2023.
O crescimento econômico e a garantia do pleno emprego dependem diretamente da quantidade e da qualidade dos engenheiros do estado, como lembra a Diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, Gianna Sagazio.
“Não cabe mais a gente continuar com o ensino de engenharia nas universidades da forma como ele era dado há 30, 40 anos. Se não tivermos engenheiros e engenheiras preparados para os impactos, que nós já estamos vivendo, dessa revolução digital, não conseguiremos ser um país competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população.”
A CNI elaborou o estudo “Ensino de engenharias: fortalecimento e modernização”. que compõe uma série de 43 documentos entregues pela confederação aos candidatos à presidência da República, nas Eleições de 2018.
O estudo aponta as ações necessárias para o crescimento do país, como restruturação e valorização dos cursos de engenharia, no país.
Reportagem, Cristiano Carlos