O desequilíbrio entre o que a Previdência Social arrecada e o que ela gasta com o pagamento de aposentadorias está comprometendo o futuro da seguridade brasileira. Só em 2016 foram gastos quase R$ 512 bilhões do orçamento com o pagamento de aposentadorias e pensões. Isso representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto do país. Custos que ultrapassam os investimentos em saúde ano a ano. A Câmara dos Deputados se prepara para votar alterações na lei. Mas muita gente ainda é resistente às mudanças nas regras previdenciárias. Eu pergunto para a economista chefe da ARX Investimentos, Solange Srour: o que acontece com o Brasil se a reforma da Previdência não for aprovada?
“O Brasil em algum momento do tempo vai precisar reformar a Previdência. Se ela não foi reformada, a gente não vai ter como pagar as obrigações da nossa dívida pública. E se o Brasil der um calote todo mundo vai perder: todos os trabalhadores que têm poupança, todos os trabalhadores que têm aplicações em títulos do governo. Então é muito necessário que as contas sejam colocadas em ordem. Porque senão se não for colocada em ordem não tem como o Brasil se endividar indefinidamente. Em algum momento vai ocorrer um calote, não só na vida pública como da própria aposentadoria. Então a questão da Previdência está muito relacionada à sustentabilidade da dívida e a possibilidade do Brasil pagar suas obrigações. Lembrando que quem são os credores do Brasil os próprios brasileiros. A gente tem uma dívida pública muito alta e quem detém essa dívida não é somente a classe mais privilegiada. Obviamente que grande parte é. Mas todo trabalhador que tem poupança, que tem algum tipo de aplicação, vai sofrer se a reforma da Previdência não foi aprovada. Agora o ponto principal é que o trabalhador não vai receber o seu salário, o seu benefício, a sua aposentadoria.”
Atualmente, para cada 100 integrantes da População Economicamente Ativa, há 21 idosos em situação de dependência por aposentadoria. Aí mora o problema: com o aumento da expectativa de vida do país, esse número em 2060 deve ser de 63 para cada 100. Ou seja, haverá menos gente contribuindo com o INSS e mais gente dependendo dele pra receber.
Levando-se em conta a realidade atual, o gasto do governo com a Previdência deveria ser em torno de 4% do Produto Interno Bruto – que foi de quase R$ 1,8 trilhão. Mas foi pouco mais que o dobro, em 2016. Somam-se aí despesas com aposentadoria, pensões por morte, benefícios assistenciais e acidentários do INSS e de servidores da União. Para enxugar esses gastos, o governo federal espera que a Câmara vote e aprove a reforma previdenciária ainda este mês, antes do recesso parlamentar.