As contas não fecham. Há cada vez mais brasileiros aposentados para trabalhadores em idade ativa, o que torna o sistema previdenciário insustentável. Em 2016, o Brasil gastou quase R$ 512 bilhões do orçamento com a Previdência Social – o que representa 55% dos recursos anuais do governo. Enquanto isso, o orçamento previsto para a saúde no mesmo ano foi de R$ 112 bilhões.
A previsão é de que essa despesa com aposentadorias e pensões não pare de crescer. É como se todo mês os seus gastos superassem o seu salário por conta de prestações como num financiamento de um apartamento.
Por outro lado, o brasileiro vem vivendo cada vez mais. E continua se aposentando cedo. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida de um cidadão no Brasil é de 75,5 anos. Mas é verdade que, com o brasileiro vivendo mais, o governo passa a ter dificuldades de pagar as aposentadorias? A economista chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, responde.
“Isso é verdade porque, de fato, a expectativa de vida não Brasil tem crescido. Mas o grande problema é que a idade média da aposentadoria atual é muito baixa. A idade média de aposentadoria, por exemplo, por tempo de contribuição é 55 anos. Com a expectativa de vida subindo, o tempo que o aposentado vai usufruir do seu benefício está aumentando. Então isso se torna insustentável. As pessoas se aposentam muito cedo e estão vivendo mais. A conta não fecha.”
Atualmente, para cada 100 integrantes da População Economicamente Ativa, há 21 idosos em situação de dependência por aposentadoria. Aí mora o problema: com o aumento da expectativa de vida do país, esse número em 2060 deve ser de 63 para cada 100. Ou seja, haverá menos gente contribuindo com o INSS e mais gente dependendo dele pra receber.
Levando-se em conta a realidade atual, o gasto do governo com a Previdência deveria ser em torno de 4% do Produto Interno Bruto – que foi de quase R$ 1,8 trilhão no ano passado. Mas foi pouco mais de 8% em 2016. Somam-se aí despesas com aposentadoria, pensões por morte, benefícios assistenciais e acidentários do INSS e de servidores da União. Para enxugar esses gastos, o governo federal espera que a Câmara vote e aprove a reforma previdenciária ainda este mês, antes do recesso parlamentar.