Os moradores de Manaus e da região metropolitana devem ficar ligados. De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, Marlúcia Garrido, mais de 70% dos casos da doença no Amazonas são registrados na capital. Apenas no ano passado, o estado registrou mais de três mil casos. O que mais assusta é que, em 2016, o Amazonas apresentou a maior taxa de mortalidade da doença no País, sendo de aproximadamente 4 a cada 100 mil casos. Marlúcia destaca que, nos primeiros sintomas da doença, que são principalmente tosse por três semanas e febre baixa no final da tarde, os pacientes devem procurar atendimento médico. Ela explica que o melhor é iniciar o tratamento o quanto antes, porque, se deixar para depois, os infectados podem ficar com sequelas para sempre.
“As bactérias não são eliminadas facilmente. O tratamento mínimo da Tuberculose é de seis meses. Se a pessoa não tomar a medicação corretamente, na dose certa, ela pode favorecer a resistência das bactérias no tratamento. Ao se tornarem mais resistentes, o tratamento não é mais de seis meses. Ele passa a ser um outro esquema de tratamento, de dois anos no mínimo, que inclui medicação injetável. Ou seja, um tratamento mais difícil. Outro problema maior ainda é que ele pode continuar transmitindo pra outras pessoas e, inclusive, transmitir bactérias resistentes que faz com que as pessoas que adoecerem de bactérias resistentes não se curem em seis meses. Vão fazer [também] outro esquema de tratamento mais difícil, mais complexo e mais doloroso, inclusive.”
Está vendo só a importância da continuidade do tratamento? Mesmo que nos primeiros meses você já se sinta melhor, não pare! Se não concluir o tratamento, o paciente, além de não se curar, ainda pode transmitir a doença. Tratar a Tuberculose é um ato de cidadania. Um morador de Manaus, funcionário público de 54 anos, que prefere não se identificar por medo do preconceito causado pelo tabu que se tem com a doença, conta como foi que descobriu que estava contagiado.
“Eu estava com uma tosse, uma tosse que não passava. Já estava com uns dois pra três meses. E aí houve uma palestra na escola sobre a Tuberculose. Lá eu conheci os sintomas da Tuberculose e eu fiquei preocupado com aquela febre, com aquela tosse na verdade. A tosse é um dos principais sintomas, né? Uma tosse prolongada, por muito tempo. E aí eu procurei a doutora e ela me deu assistência. Fizemos o exame de escarro e aí infelizmente, ou felizmente, porque foi uma coisa até bem no início, foi confirmado realmente que eu estava com dois bacilos. E aí nós começamos o tratamento.”
Ele lembra também de um detalhe importante. Depois que foi diagnosticado, toda sua família precisou fazer exames para checar se mais alguém havia sido contagiado. Fique ligado! Tossiu por mais de três semanas, está suando demais à noite? Procure atendimento médico! Ajude a deixar essa história no passado. Para mais informações acesse saude.gov.br.