Por Sara Rodrigues
Os cursos de engenharia no Paraná têm registrado altas taxas de abandono. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2017, cerca de 19 mil estudantes iniciaram faculdade em uma das engenharias no estado. Porém, no mesmo ano, mais de 8 mil alunos decidiram trancar o curso.
Neste contexto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou um estudo que mostra que o Brasil tem formado poucos engenheiros, e que isso prejudica o desenvolvimento tecnológico do país.
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O professor de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda, acredita que o problema é a falta de estímulo aos estudantes ainda no Ensino Médio. Ele acredita que é necessário despertar o interesse nos estudantes.
“Se você olhar qual é a solução que se faz na Europa hoje, por exemplo, é procurar trazer o aluno do ensino médio para a engenharia, através de uma série de condições de contorno. A pessoa pode ser formar em engenharia e pode frequentar o curso em diversos países”, explica.
Lacerda afirma que é uma banalização da informação, e por isso, muito do que se ensina precisa ser reinventado, descobrindo novas maneiras de se ensinar e também de aprender.
O problema não está só no Paraná – é uma preocupação nacional. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para cada 10 mil habitantes, apenas 4,8 são graduados em engenharia. Enquanto em países mais desenvolvidos como Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria contavam com mais de 20 engenheiros para o mesmo número de pessoas.
A diretora de inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, explica que o mundo tem mudado de forma muito acelerada, e por isso, é importante preparar bem futuros engenheiros para que eles acompanhem o ritmo da indústria.
“Se não tivermos engenheiros e engenheiras preparados para os impactos dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”, afirma Sagazio.
O estudo da CNI “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização” faz parte de uma série de propostas que foram entregues para os presidenciáveis, neste ano. Para a problemática da evasão e interesse pelos cursos de engenharia, foi proposta uma melhoria no ensino e no desenvolvimento de habilidades que caminham lado a lado com o setor produtivo brasileiro.
Além dos índices baixos de estudantes que concluem o curso de engenharia, os cursos também não foram tão bem avaliados. Em 2016, 1.538 cursos foram avaliados. Destes, o INEP informou que cerca de 60% atingiram apenas a nota mínima satisfatória, e 15% ficaram abaixo desse valor.