O número de estudantes que concluem cursos de engenharia é baixo em Rondônia devido à alta taxa de abandono da graduação superior.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, mostram que cinco mil e seiscentos alunos fizeram matrículas em 37 cursos de engenharias oferecidos por instituições públicas e particulares de ensino superior em Rondônia, no ano passado.
Deste total, apenas pouco mais de dois mil e trezentos alunos rondonienses ingressaram nos cursos e mais de mil e novecentos desistiram da graduação antes da formatura. Os alunos formandos foram apenas quatrocentos e trinta.
Para o especialista em Engenharia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Marcelo Rambo, a baixa qualidade do Ensino Médio, em especial nas ciências exatas, como matemática e física, contribui para a evasão nos cursos superiores de engenharia.
“A faculdade apanha um pouco nisso, até hoje, em saber quais as deficiências de cada aluno. No caso da engenharia e na área de exatas é sempre nas áreas de matemática e física. Os melhores alunos de engenharia com quem eu estudei e para quem a gente dá aula são técnicos.”
De acordo com projeção do Instituto de Pesquisas Aplicadas, o IPEA, o mercado de trabalho, em Rondônia, deve empregar cerca 260 engenheiros – mas apenas em 2023.
O crescimento econômico e a garantia do pleno emprego dependem diretamente da quantidade e da qualidade dos engenheiros do estado, como lembra a Diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, Gianna Sagazio.
“Não cabe mais a gente continuar com o ensino de engenharia nas universidades da forma como era dado há 30, 40 anos. Se não tivermos engenheiros e engenheiras preparados para os impactos, que nós já estamos vivendo, dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população.”
A CNI elaborou o estudo “Ensino de engenharia: fortalecimento e modernização”. que compõe uma série de 43 documentos entregues pela confederação aos candidatos à presidência da República, para as Eleições de 2018.
O estudo aponta as ações necessárias para o crescimento do país, como restruturação e valorização dos cursos de engenharia, no país.
Reportagem, Cristiano Carlos