O número de estudantes que concluem cursos de engenharia é baixo no Pará por conta da alta taxa de abandono da graduação superior.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, mostram que dois mil e novecentos alunos fizeram matrículas em 16 cursos de engenharias oferecidos por instituições públicas e particulares de ensino superior no Amapá, no ano passado.
Deste total, apenas pouco mais de mil e duzentos alunos amapaenses ingressaram nos cursos e mil e cem desistiram da graduação antes da formatura. Os alunos formandos foram apenas 99.
Para a especialista em Engenharia da Universidade Federal do Amapá, Cristina Badini, a baixa qualidade do Ensino Médio, em especial nas ciências exatas, como matemática e física, contribui para a evasão nos cursos superiores de engenharia.
“O aluno que quer ser engenheiro se depara com muita matemática e muita física e, às vezes, isso desestimula. A partir do quinto, sexto período, onde já entram as matérias mais profissionalizantes, muitos já desistiram.”
De acordo com projeção do Instituto de Pesquisas Aplicadas, o IPEA, o mercado de trabalho paraense deve ter cerca quatrocentos engenheiros – mas apenas em 2023.
O crescimento econômico e a garantia do pleno emprego dependem diretamente da quantidade e da qualidade dos engenheiros do estado, como lembra a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, Gianna Sagazio.
“Não cabe mais a gente continuar com o ensino de engenharia nas universidades da forma como era dado há 30, 40 anos. Se não tivermos engenheiros e engenheiras preparados para os impactos, que nós já estamos vivendo, dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população.”
A CNI elaborou o estudo “Ensino de engenharia: fortalecimento e modernização”. que compõe uma série de 43 documentos entregues pela confederação aos candidatos à presidência da República, para as Eleições de 2018.
O estudo aponta as ações necessárias para o crescimento do país, como restruturação e valorização dos cursos de engenharia, no país.
Reportagem, Cristiano Carlos