O retorno de Aécio Neves ao Senado foi apoiado integralmente pelo PSDB em plenário. Dos dez senadores presentes na sessão de terça-feira, dez votaram pela derrubada das medidas cautelares que o afastaram do mandato e o obrigavam a se recolher em casa todas as noites. Mas o retorno do tucano de Minas ao Congresso já tem criado um desconforto dentro do próprio partido.
Presidente interino do PSDB nacional, o senador Tasso Jereissati, do Ceará, disse que a decisão do plenário foi dar a Aécio a chance de se defender. O que deve ser feito no Conselho de Ética da Casa. O julgamento do Supremo continua, mas enquanto tudo isso acontece, o melhor que Aécio tem a fazer, defende Tasso, é renunciar à presidência do partido, da qual está licenciado.
“Porque eu acho que ele não tem condições, dentro da circunstância que tá, de ficar como presidente do partido. E nós precisamos ter uma solução definitiva e não provisória”
Tasso não está só nesse desconforto com Aécio. E com o desgaste que sua condição, ainda mais como presidente licenciado do PSDB, gera para a legenda a um ano das eleições presidenciais.
O senador Ricardo Ferraço, do Espírito Santo, não participou da sessão de terça-feira. E evitou um mal estar na bancada. Em viagem a Dubai, nos Emirados Árabes, defendia o afastamento do colega. Durante toda o dia, a expectativa no Senado era se Aécio apareceria logo ou se esperaria a poeira baixar para voltar ao trabalho.
De Brasília, Hédio Júnior