Por Marquezan Araújo
Para a chegada de um filho à família, pais biológicos esperam cerca de 270 dias (nove meses), desde o início da gravidez da mãe. No entanto, pessoas que desejam adotar uma criança têm que passar por um longo processo e, às vezes, esperam anos para recebê-la no novo lar.
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Para acelerar esse procedimento, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei (PLC 101/2017) que, entre outras coisas, trata de dar agilidade ao processo de adoção, priorizando grupos de irmãos, que normalmente já são crianças maiores. De acordo com a relatora da matéria, senadora Marta Suplicy (MDB-SP), o objetivo é acabar com a angustia dessas crianças que ficam na fila, na esperança de conhecer a nova família.
“Essas crianças gostariam de ter um lar, mas é tanta burocracia que elas não conseguem ser adotadas. 20% dessas crianças têm possibilidade e estão no Cadastro Nacional, mas demora tanto tempo e a criança fica lá e ela cresce nesse período. Ela cresce e, depois, perde a oportunidade de ser adotada porque, infelizmente, as pessoas querem adotar crianças bem pequenininhas”, explica a parlamentar.
Um dos pontos do projeto estabelece que, após o estágio de convivência de 90 dias, o processo tenha até 120 dias para ser concluído, caso os pais decidam ficar com a criança. Esse prazo só poderá ser prorrogado uma vez.
O estágio de convivência é aquele período de integração entre os pais que vão adotar e a criança que vai ser adotada. E, até então, não existia um tempo determinado para ele, ficando a critério da avaliação judicial.
No Brasil, crianças maiores têm mais dificuldades de serem adotadas. Os mitos em torno disso levam as pessoas a acreditarem que terão problemas adotando uma criança com idade a partir de três anos, por exemplo. Porém, o Arquiteto Túlio Gomes, de 48 anos, não enxerga isso como um impedimento para dar uma chance a alguém que só deseja o carinho e atenção de uma família.
“Eu prefiro que seja uma adoção tardia para dar oportunidade para quem tem mais dificuldade. Tudo é possível com amor. Você precisa se entregar e unir essa criança, porque ela também precisa de um tempo para formar esse laço contigo”, avalia.
Túlio mora em Brasília, é solteiro e conta que perdeu o pai em 2010. A partir de então, ele pensou na possibilidade de agregar outra pessoa à família para dar e receber afeto. “A minha família ficou só eu e minha mãe. Então ela ficou muito curta e eu parei para analisar: porque não oportunizar a vida de uma criança também? Eu sempre tive vontade de ser pai e eu acho que essa é a grande oportunidade”, diz.
De acordo com o supervisor da Seção de Adoção da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, Walter Gomes, a diferença da quantidade de pais que querem adotar e de crianças que preenchem todos os requisitos para serem adotadas é muito expressiva. Em todo o país, a relação é de aproximadamente 40 mil famílias para 8 mil crianças. Na avaliação de Gomes, o maior problema em achar uma nova família para essas crianças, de fato, é a dificuldade de flexibilizar o perfil exigido pelos pretendentes, como por exemplo, o de uma criança mais velha.
“A grande maioria das famílias que se habilita para adoção prefere crianças de 0 a, no máximo ,3 anos de idade. Porém, dos disponíveis para serem adotados, a maior parte se trata de adolescentes e pré-adolescentes que estão espalhados em dezenas de instituições de acolhimento, aguardando com muito anseio, muito desejo a oportunidade de passarem a fazer parte de uma família verdadeiramente afetiva”, comenta Gomes.
Caso você tenha interesse em conhecer o processo de adoção e queira realizar o sonho de uma criança mais velha de ter um lar, o grupo Aconchego está de portas abertas para te orientar. Para mais orientações, preencha este formulário.
