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LOC.: Os empresários da indústria brasileira enfrentam dificuldades para acessar crédito. A constatação vem da Sondagem Especial nº 98, realizada pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento.
Segundo o levantamento, 80% das empresas apontam os juros elevados como principal obstáculo para financiamentos de curto e médio prazo. No crédito de longo prazo, o problema se repete: 71% também citam os juros altos.
Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, os resultados refletem o patamar da taxa Selic.
TEC./SONORA: Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI
“Isso é um dado que recorrentemente aparece nas nossas pesquisas de sondagem. Então a gente já esperava encontrar essa resposta, até porque a política monetária atual é bastante restritiva. Com uma taxa Selic de 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o crédito bancário tende a ficar mais caro. Esse impacto é sentido diretamente pelas empresas industriais. Mas os juros não foram o único obstáculo apontado. As empresas também destacaram as exigências de garantias reais, como máquinas, equipamentos e edificações, além da falta de linhas de crédito adequadas às suas necessidades.”
LOC.: A pesquisa mostra ainda que mais da metade das indústrias evitaram buscar crédito entre fevereiro e julho de 2025. Apenas 26% contrataram operações de curto prazo, e só 17% conseguiram crédito de longo prazo.
Entre as que tentaram a contratação ou renovação de crédito a longo prazo, um terço das empresas não tiveram sucesso, enquanto cerca de um quinto que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.
Outro dado importante revelado pela pesquisa é que 35% das companhias afirmaram que as condições de acesso ficaram piores, com juros mais altos, menos parcelas e exigência de garantias mais rígidas. Apenas uma minoria, cerca de 14%, relatou melhora nas condições.
O estudo também investigou o chamado risco sacado, modalidade de antecipação de recebíveis. Mas a adesão ainda é baixa: apenas 13% das empresas utilizaram essa forma de crédito nos últimos 12 meses.
Participaram da sondagem MIL E SETECENTOS E OITENTA E NOVE indústrias, entre pequenas, médias e grandes, com coleta realizada em agosto de 2025.
Reportagem, Maria Clara Abreu