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LOC: A Confederação Nacional da Indústria, CNI, aponta que os juros altos continuam pressionando o setor industrial brasileiro em 2025. O relatório Economia Brasileira 2025-2026 mostra que a projeção de crescimento da indústria foi reduzida de 2,1% para 1,8%.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a indústria é ainda mais penalizada pela taxa de juros. Alban explica que o setor tem cadeias produtivas extensas e que os juros acabam encarecendo as várias etapas do processo produtivo.
Segundo o dirigente, a queda nas projeções reúne um conjunto de explicações, mas apenas a alta taxa de juros pode ser resolvida no curto prazo.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“É uma combinação de fatores, mas a taxa de juros é algo que pode ser administrado de forma mais efetiva, com mais entregas imediatas, do que toda uma parte de infraestrutura, de reformas estruturais que precisamos fazer.”
LOC.: Um dos destaques da revisão é a indústria de transformação. A previsão da Confederação era de alta de 2% no final do ano passado; o percentual foi caindo ao longo do ano e, desde o 3º trimestre, passou para uma alta de 0,7%.
O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, lembra que as tarifas impostas pelos Estados Unidos também influenciaram o desempenho.
TEC./SONORA: Maria Sergio Telles, diretor de Economia da CNI
“Tivemos um problema ao longo do ano, o chamado tarifaço do governo norte-americano. Isso afetou muito as vendas da indústria para o mercado americano, que é o principal mercado da indústria de transformação brasileira. Mas, em parte, essa perda foi compensada pelo crescimento em outros mercados. E aí eu destacaria principalmente o mercado argentino, onde a economia reagiu. Também a taxa de câmbio lá se apreciou, o que beneficiou as nossas exportações para lá.”
LOC.: O setor da construção também perdeu força, reflexo dos juros altos e da queda nas vendas de materiais no segundo semestre. Já o setor de Serviços segue estável, enquanto a indústria extrativa surpreendeu com revisão para cima, deve crescer 8%, impulsionada principalmente pela extração de petróleo e minério de ferro.
O relatório demonstrou que a agropecuária segurou uma queda maior do Produto Interno Bruto brasileiro em 2025. O setor tem alta prevista de 9,6%, impulsionada por boas safras e aumento no abate.
Para este ano, a CNI projeta crescimento de 2,5% do PIB, ligeiramente acima dos 2,4% estimados no fim do ano passado.
Reportagem, Bianca Mingote