O cenário do mercado de trabalho para goianos entre 18 e 24 anos não apresenta estatísticas positivas. 19% dos jovens dessa faixa etária estão desempregados. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD, do segundo trimestre, deste ano.
Na busca de uma ocupação, Gabriel Alexandre, de 22 anos, decidiu se inscrever em um curso técnico de processos gráficos no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o SENAI. Ele ainda estava cursando o Ensino Médio, na época, mas acreditou ser uma boa oportunidade. No mesmo ano, já conseguiu um estágio, e hoje, fala sobre a satisfação de ter sido contratado como orçamentista-chefe.
“Um conhecimento é complemento do outro. Então aquele jovem que não pensa em fazer uma graduação de quatro anos, tudo bem também. Desde que ele se dedique e foque realmente no curso técnico. E sempre complemente os conhecimentos com mais cursos, desde que a pessoa entenda realmente a importância de quanto mais conhecimento tiver é melhor.”
Gabriel precisou recorrer a esse curso na área industrial ainda durante o Ensino Médio, porque considera que Educação Básica não foi suficiente para encarar o mercado de trabalho. O que o jovem viveu é evidenciado pelo setor industrial. De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, o que é ensinado nas salas de aula dos ensinos Fundamental e Médio não oferece tanta qualidade de conteúdo. O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, explica que as chances são menores para jovens que não tiveram a mesma ideia de Gabriel de fazer um curso técnico.
“Vamos imaginar a primeira situação em que um jovem recém saído do ensino médio, e olha que ele é um vitorioso, porque metade não chega lá, na sua primeiro processo de seleção, que vai falar com profissional de RH, se tiver num plano médio, 75% não aprendeu adequar a língua portuguesa. E ele não tem Educação Profissional. Imagine o drama desse jovem para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.”
Para a especialista em administração Débora Barem, da Universidade de Brasília, UnB, a educação básica precisa passar por uma transformação.
“Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir a matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência e tecnologia, vamos viabilizar novos entendimentos.”
Um dos meios para melhorar a situação para os jovens que já enfrentam dificuldades no mercado de trabalho é o curso técnico. De acordo com a CNI, mais de 300 mil empregos, em Goiás, foram gerados pela indústria. Ou seja, 21% da força de trabalho do estado, e representa três por cento da indústria nacional.
Com a colaboração de Sara Rodrigues, reportagem, Pedro Marra