Brasil - undefined·04 de maio de 2020

Ipea elabora nota técnica com três possíveis cenários sobre o calendário eleitoral 2020

Entres os pontos, o instituto avalia como mais improvável o adiamento das eleições municipais para 2022 em decorrência da Covid-19

Por Alexandre Penido
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O Governo Federal tem mantido esforços para conter a proliferação da Covid-19 no Brasil. No entanto, a doença de fácil transmissão pelo ar pode trazer mais um desafio para o Brasil. Em outubro deste ano estão previstas as eleições municipais, momento de grande aglomeração de pessoas nas ruas.

Pensando nisso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou nota técnica para avaliar qual seria o melhor cenário diante do quadro de evolução da doença em todos os estados brasileiros. Os pesquisadores do Ipea avaliaram três alternativas, a manutenção do calendário atual, o adiamento das eleições por poucas semanas ou meses, sem prorrogar os atuais mandatos, ou a transferência das disputas para 2022, unificando-as com os pleitos federais, como o explica o pesquisador do Ipea, Acir Almeida.

“A primeira seria manter o calendário atual, ou seja, não modificar em nada. A segunda é a alternativa que está sendo assentada pelo Tribunal Superior Eleitoral que é adiar o mínimo possível. No máximo até dezembro deste ano para não ter a necessidade de prorrogar os atuais mandatos.  E a terceira alternativa é exatamente a alternativa que a gente considera mais radical que é simplesmente jogar as eleições municipais para 2022. Então, a faz uma pequena comparação dessas três alternativas e conclui que a segunda alternativa de adiar por algumas semanas ou meses, até dezembro no máximo é a mais adequada”, destacou o pesquisador Almeida.

De acordo com Acir Almeida, pesquisador do Ipea e autor do estudo, a transferência das eleições municipais para 2022 seria constitucionalmente mais complicada e exigiria um posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF).  Para o pesquisador a melhor opção destacada na nota técnica é o adiamento por um pequeno espaço de tempo. Acir ressalta ainda que essa medida estaria mais compatível com os cuidados que precisam ser tomados para evitar a proliferação da Covid-19 durante as campanhas eleitorais.

“A princípio estaria compatibilizando os cuidados que a gente precisa ter para minimizar o risco sanitário, o risco de contágio com a pandemia e ao mesmo tempo preservando o calendário eleitoral na medida do possível”, afirmou Acir Almeida

O estudo levou em consideração as projeções feitas pelo Ministério da Saúde sobre a regressão mais acentuada da curva epidêmica. Esses dados revelam que a pandemia tenderia a se estabilizar a partir de julho deste ano, ter sua reversão inicial em agosto e queda a partir de setembro.

Número de eleitores brasileiros

Número de eleitores  Imagem: Artes

Para o analista político, Creomar de Souza, a nota técnica do Ipea deve servir como instrumento balizador para a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral (STE), em relação a mudança no calendário eleitoral de 2020.  “Essa é uma decisão que deve levar também elementos técnicos em consideração.  Mas é uma decisão que vai caber ao órgão regulador. Eu creio que a decisão do Ipea pode servir de balizador nesse processo. Mas a justiça vai ter que pesar também elementos, por exemplo, o próprio impacto disso sobre as regras do jogo”. 

No entendimento do presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Glademir Aroldi, a questão das eleições também preocupa a entidade. Em nota oficial publicada no site da instituição o presidente destacou, “Será justo com os atuais prefeitos e vereadores que têm condições de concorrer à reeleição impor a participação em campanha eleitoral, no momento em que efetivamente precisam estar ao lado do povo atendendo suas vulnerabilidades? O adiamento das eleições programadas para 4 de outubro do corrente ano se mostra cada vez mais necessário”, disse.

Na última semana o Grupo de Trabalho (GT) criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o terceiro relatório semanal informando que foi constatado que a Justiça Eleitoral, até o presente momento, tem condições materiais para a realização de eleições no corrente ano.

O GT é responsável pela projeção dos impactos da pandemia novo coronavírus durante as atividades ligadas às Eleições Municipais de 2020. O grupo chegou a realizar um levantamento de ações realizadas, no âmbito do TSE, para gestão de riscos e equipamentos, para a realização de testes dos sistemas eleitorais e para o acompanhamento da evolução de sistemas de apoio. 

Durante os trabalhos também foram avaliados serviços prestados pelo TSE e pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) aos cidadãos, a exemplo do alistamento e da regularização da situação eleitoral, e do cadastramento de empresas interessadas em prestar serviços de captação de recursos para o financiamento coletivo de campanhas eleitorais.

Para mais informações acesse: www.tse.jus.br  

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SOBRE

Alexandre Penido

Profissional com bacharelado em Comunicação Social - Jornalismo, com mais de 11 anos de formado. Nove anos de experiência profissional em assessoria de imprensa e radiojornalismo institucional, relacionados à saúde e à política. Atuação em campanha política de rádioweb e coordenação da Web Rádio Saúde do Ministério da Saúde. Participação no atendimento de temas relevantes para saúde como Zika Vírus, Mais Médicos, Gripe, Ebola, Judicialização de medicamentos, Orçamento da Saúde, Economia da Saúde.

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