Por Paulo Henrique Gomes
Cerca de 35% da energia elétrica gerada no país é utilizada pelo setor industrial. Uma alternativa para amenizar o alto consumo são as energias renováveis. Localizado em Natal, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, desenvolve sistemas de energias renováveis para as instalações industriais e de residências.
Segundo o diretor do instituto, Antônio Medeiros, o local desenvolve projetos voltados para o aprimoramento de equipamentos para a geração de energia renovável. “A gente oferece uma série de serviços com foco em aprimoramento de equipamentos para geração de energia renovável, inserção de energia renovável em processos industriais, e um pouco de mapeamento em outras áreas de energias renováveis que não se concentram em eólica e solar, tipo maré, biocombustíveis”, afirma.

Os principais segmentos atendidos pelo órgão são produtores e distribuidores de energia elétrica, as indústrias de óleo e gás, máquinas e equipamentos, infraestrutura e tecnologia da informação.
Os equipamentos desenvolvidos pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis foram desenvolvidos com o objetivo de criar soluções ágeis e inovadoras voltados para o aumento da produtividade da indústria com um melhor aproveitamento dos recursos renováveis. É o que explica Antônio Medeiros. “O grande foco é que as empresas aumentem seu rendimento, maximizando a geração de energia e eliminando os tempos de parada de cada máquina para que não tenhamos desperdício”, afirma.
Energia eólica
Atualmente, o Brasil é o oitavo país do mundo em produção de energia eólica. Com condições climáticas favoráveis, a região Nordeste é a que possui maior capacidade de produção de energia a partir dos ventos. Com 135 parques, o Rio Grande do Norte é o estado que mais produziu energia usando a força dos ventos. O diretor do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, Antônio Medeiros, destaca a importância do setor para o país.
“A energia eólica é uma energia que já representa uma fonte bem significativa na matriz energética nacional e os nossos serviços hoje são uma referência para várias empresas que atuam no setor. Para você ter ideia, em alguns dias do ano, a gente consegue suprir toda a energia do Nordeste só com os parques eólicos instalados aqui”, afirma.
Windbox
O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis desenvolveu, em conjunto com a empresa LogAp, o software Windbox, que analisa os equipamentos utilizados para a captação de energia eólica. É o que explica o diretor-comercial da LogAp Sistemas, Danilo Barros.
“Cada turbina eólica gera uma informação. De produção, de velocidade de vento, humidade relativa do ar, informações de problemas técnicos. E essas informações ficam, digamos, armazenados em um canto, e não tem uma inteligência por trás delas para o gestor. Então, o que a nossa ferramenta faz é coletar essa informação, pegar a informação de cada máquina dessa, de cada gerador, e extrair índices que auxiliem o gestor”, afirma.
Danilo Barros também elogia os profissionais que atuam no instituto localizado em Natal. “O Instituto Senai de Inovação, para mim tem os melhores, a melhor equipe relacionada a pesquisa de energia renovável do Nordeste, que é o que eu conheço. Tem pessoas altamente capacitadas e altamente responsáveis”, disse.
Inovação no Brasil
O Brasil ganhou cinco posições no Índice Global de Inovação divulgado neste ano, subindo do 69º para o 64º lugar em um ranking de 126 países. O 64º lugar é melhor do Brasil desde 2014. Nos dois últimos anos, o Brasil ficou estagnado na 69ª posição. Entre as áreas em que o país se destacou estão gastos com P&D, importações e exportações líquidas de alta tecnologia; qualidade de publicações científicas; e universidades, especialmente as de São Paulo (USP), Campinas (Unicamp) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O SENAI tem como objetivo inaugurar 25 Institutos SENAI de Inovação em 12 estados. Desse total, 21 unidades já são operacionais, com 150 projetos contratados.
Propostas da Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), entregou um documento com 43 propostas voltadas para o desenvolvimento da indústria nacional aos candidatos à Presidência da República. Entre as recomendações, o plano possui uma agenda de políticas voltadas para a inovação. Segundo o arquivo, a competitividade das empresas depende, cada vez mais, da sua capacidade de inovar. De acordo com a CNI, no Brasil, os mecanismos de suporte às atividades de inovação ainda não se mostram capazes de alavancar os resultados desejados e a qualidade da governança é uma questão chave e afeta a consistência das políticas de inovação.