
Por Camila Costa
Trigonometria: a parte da matemática que estuda as relações existentes entre os lados e os ângulos dos triângulos. Cateto oposto, hipotenusa, cateto adjacente. É fácil encontrar alguém que não saiba muito bem o que isso significa ou que ache chato demais mexer com esse tipo de teoria. Mas um professor de matemática da Escola do SESI de Porto de Santana, no município de Cariacica (ES), pegou todos esses conceitos e os colocou, literalmente, na prática. Levou os alunos para fora de sala, jogou diversos exemplo no ar e propôs que eles encaixassem tudo isso no que viam no dia a dia. O desafio rendeu um projeto de um teodolito, feito com materiais simples, todos encontrados dentro de escritórios.
Teodolito: um instrumento de precisão óptico que mensura ângulos verticais e horizontais, aplicado em diversos setores como na navegação e na construção. Responsável por calcular distâncias inacessíveis, como entre um lado e outro de um rio, sem precisar atravessá-lo. É um aparelho digital, grande, complexo, que, com a orientação do professor Allan Schroefer Gomes de Carvalho, de 24 anos, foi reproduzido com o que estava ao alcance das mãos dos alunos. “A gente usou material que eles podem encontrar no dia a dia. Então, um transferidor, canudo, tampinha, então a gente construiu um teodolito, uma máquina, algo todo digital, construímos com material que encontramos no dia a dia. Claro que não são obtidos valores exatos, mas testamos e funcionou”, comemora o docente.
O projeto foi um dos destaques do 3º Encontro Nacional do Sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI, que reuniu representantes dos Departamentos Regionais de todo o país, nos dias 29 e 30 de novembro, em Brasília. Ao todo, 20 experiências exitosas de diferentes cidades brasileiras foram destacadas durante o evento. Allan trabalhou o projeto ‘Trigonometria - da teoria à prática’ - durante três semanas com os alunos. O mais fácil, segundo ele, foi convencer os meninos. No entanto, o desafio foi ficar apenas como orientador. “Não poder explicar sobre. Eu fui mediador. Eu tinha que deixar eles pesquisarem. Eu, enquanto professor, a minha vontade de explicar, vontade de falar sobre o que era, pra mim, foi o mais desafiador, foi somente mediar. Eles vinham com perguntas para mim e eu devolvia”, lembra Allan.
Ainda segundo o professor, além de desafiadora, essa também é a parte mais agregadora do projeto. “Porque os alunos buscam mais, correm mais atrás e não ficam só naquele negócio de receber o que o professor está falando, receber o conteúdo, precisam correr atrás e nesse correr atrás passam por coisas que são novas para eles. Isso é muito interessante”, avalia.
Além da apresentação das 20 melhores práticas pedagógicas de 2018 da rede SESI, os representantes dos Departamentos Regionais participaram de uma palestra sobre STEAM, uma metodologia que trabalha de forma integrada as áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática e é baseada na aprendizagem por projetos. O modelo STEAM já está sendo utilizado dentro da rede de escolas do SESI.
O gerente executivo do SESI, Sergio Gotti, conta que a metodologia está dentro da rede em termos de currículo, em termos de mudança profissional, inclusive, dentro do perfil dos profissionais que são contratados. O encontro, o terceiro proporcionado pelo SESI, é um desafio, mas também uma forma de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos docentes nas salas de aula. “Tiveram engajamento e o mais importante, geraram bons resultados, melhores resultados, na questão da aprendizagem. São projetos significativos, que trazem uma diferença para a vida dos nossos alunos e que os professores se motivam cada vez mais”, explica Gotti.