Por Paulo Henrique Gomes
A Indústria 4.0 – também conhecida como quarta revolução industrial – é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Implantar esses procedimentos cria ambientes com ligações entre elementos computacionais e físicos capazes de deixar a cadeia de produção das empresas mais dinâmico e eficiente.
Para o Gerente de Gestão, Inovação e Talentos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Filipe Cassapo, os processos presentes na Indústria 4.0 permitem que as empresas desenvolvam e atualizem a forma como produzem. “O mundo da transformação digital, o mundo da Indústria 4.0, nos permite ter uma grande oportunidade de desenvolver novas empresas, novos negócios, novas tecnologias, fomentando o empreendedorismo inovador no Brasil”, afirma.

De acordo com o Cassapo, a quarta revolução industrial pode ser aproveitada para elevar o nível de competitividade das empresas paranaenses. Segundo ele, aliar os novos métodos ao processo industrial também pode aumentar a produtividade da indústria local.
“O primeiro elemento é reconhecer o motivo da importância da Indústria 4.0 para o desenvolvimento competitivo da indústria no Brasil, especificamente no nosso estado, o Paraná. A Indústria 4.0 é a aplicação das tecnologias de digitalização, tecnologias digitais, ao modo industrial, permitindo, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade, a produtividade dos processos industriais. E, ao mesmo tempo, deixar os produtos cada vez mais inteligentes, cada vez mais conectados às necessidades”, explica.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em estudo que compõem propostas para os candidatos à presidência da República, defende a implantação da Indústria 4.0 no país com rapidez. Segundo a entidade, 48% das grandes empresas brasileiras pretendem investir em tecnologias 4.0, em 2018. O Especialista em Desenvolvimento Produtivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo, defende a importância da adesão de novas tecnologias por parte das empresas. “A gente precisa organizar em vários eixos. Então organizar a empresa, a cultura da empresa, trabalhar a empresa para ela ser mais digital é importante”, defende.
Na avaliação do professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Inovação, Tecnologia e Recursos, Antônio Isidro, as empresas precisam voltar suas atenções à Indústria 4.0 para não perder participação no mercado. “A gente tem percebido que empresas que ainda não fizeram processo de assimilação dessa nova mentalidade, nova maneira de se integrar aos mercados, vão precisar fazer isso com alguma rapidez, caso contrário vão perder participação no mercado”, defende.
De acordo com estudo realizado pela CNI, 24 setores industriais brasileiros, 14 precisam adotar com urgência estratégias de digitalização para se tornarem internacionalmente competitivos. Ainda de acordo com a entidade, o percentual de indústrias do país que utilizam pelo menos uma tecnologia digital passou de 63%, em 2016, para 73%, em 2018, mas quase 30% das empresas ainda não utilizam nenhuma dessas ferramentas.