Ciência & Tecnologia - undefined·09 de novembro de 2018

Ideia inovadora em MS cria mecanismos para proteção do trabalhador em silos de grão

Por Agência do Rádio
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Por Camila Costa

Os armazéns e silos de grãos são um ambiente traiçoeiro para trabalhar. Em um piscar de olhos, o trabalhador pode ser sugado pelos grãos e morrer asfixiado, hoje um dos principais acidentes fatais nesse segmento. Sem estatísticas precisas e oficiais sobre as mortes nesse tipo de espaços de trabalhos confinados, um levantamento feito pela BBC Brasil revela a periculosidade do serviço: foram 24 mortes em 2017, um crescimento de 140% em relação a 2016. E só nos primeiros seis meses deste ano foram 13 ocorrências. Esse tipo de atividade só perderia em número de acidentes fatais no trabalho para as que envolvem os serviços no trânsito.

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Não ter dados específicos é uma outra problemática. Dificulta, entre outras coisas, enxergar a realidade e buscar soluções. Procurada pela reportagem, a Previdência não identificou este tipo de acidente de trabalho no sistema. Os dados da BBC Brasil foram coletados a partir de matérias de jornais, considerando todas as mortes por acidente de trabalho em armazéns de alimentos a granel (não empacotados) que foram noticiadas por veículos de imprensa. Mato Grosso, na região Centro-Oeste é o estado com mais números de acidentes dessa natureza, com 28 casos. Leila matéria completa aqui.

E é da região Centro-Oeste que sai uma solução inovadora que pode ser uma saída para o país reduzir esses números. Um grupo de técnicos, gerentes e especialistas do Centro de Inovação do SESI do Mato Grosso do Sul criou, a partir de uma técnica chamada Design Sprint, um projeto de monitoramento em tempo real, onde o gestor poderá seguir passo atrás de passo do trabalhador dentro do armazém ou silo para prevenir esse tipo de acidente.

Um software, aplicado junto aos dispositivos de segurança, com câmeras e sensores promete monitorar o trabalhador do início ao fim do serviço. Segundo o gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em SST de Mato Grosso do Sul, Ricardo Egídio Junior, as informações ainda ficarão registradas para que as empresas possam criar um histórico de monitoramento de cada trabalhador.

“A solução que trouxe mais viabilidade técnica, econômica e escalabilidade, foi a ideia de desenvolver um projeto chamado Smart Kipper, como se fosse uma ferramenta, um software, aplicado a alguns hardwares, que vão nos dispositivos de segurança desse trabalhador, para monitorar ele o tempo todo nas atividades. Esse Smart Kipper seria aderido aos equipamentos de proteção dele, câmera para que registrasse, sensores para verificar alterações de pressão, oxigênio, gases, tem vários aparatos para monitoramento em tempo real pelo gestor, pelo coordenador direto”, explica o gerente.

Design Sprint


O projeto está agora em fase de busca de empresas para colocar em prática a solução em forma piloto. Ricardo Egídio Junior conta ainda que o trabalho da equipe durou três dias e que isso só foi possível com a ajuda da técnica de inovação Design Sprint, desenvolvida pelo departamento nacional do SESI. A equipe do SESI de Mato Grosso do Sul passou por um treinamento durante três meses e a partir disso colocou em andamento um novo jeito de preparar os projetos de inovação.

Até a aplicabilidade do Design Sprint, a equipe levava meses até analisar a ideia, identificar a problemática, checar viabilidade, deferir escopo e apresentar uma solução. Agora, isso é feito em três dias, com a ajuda de mais de 30 ferramentas, cada uma com uma finalidade, para consolidar um novo projeto de inovação. Para Ricardo, o que surgiu foi um novo jeito de organizar essa fase de pré-projeto. “Então, em três dias, a gente consegue detalhar, entender o problema, fazer processo de ideação de novas soluções, fazer protótipo e já sair com solução no final dos três dias. Esse método propicia a gente reduzir drasticamente o tempo de análise pré-projeto para três dias e já sair com algumas soluções palpáveis”, afirma.

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