Economia - Saúde·29 de setembro de 2024

Horário de verão: cientistas fazem manifesto contra volta da medida

Pesquisadores elencam distúrbios do sono, eventos cardiovasculares e até transtornos mentais como consequência da mudança temporária de horário

Por Lívia Braz
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Foto: Arquivo Agência Brasil

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Depois de cinco anos revogado, o horário de verão pode voltar. Mas as polêmicas que envolvem a medida agora vão além da economia de energia, chegaram ao campo da saúde. Um grupo de cientistas ligados à cronobiologia — ciência que estuda os ritmos e os fenômenos biológicos — assinou um manifesto alegando que a mudança de horário pode trazer prejuízos graves à saúde, que superam, inclusive, os benefícios econômicos.

O manifesto explica que os ritmos biológicos humanos são relacionados ao ciclo natural de luz e escuridão. Esse ciclo regula automaticamente funções essenciais, como sono, apetite e até mesmo o humor. O horário de verão, segundo os estudiosos, confunde essa sincronização e força o organismo a se reajustar a um novo "horário social". 

A servidora pública de Brasília, Juliana Passos, concorda com os cientistas. Ela não gosta de mudança e conta que tem muita dificuldade em se adaptar.

“Eu sinto que ele traz impactos bem relevantes para a questão da saúde, principalmente a questão do sono. Quando a gente acorda bem cedo ainda está escuro, para dormir é mais complicado, porque ficamos mais expostos à luz e ao calor e demoramos para relaxar ao final do dia”. A moradora do DF ainda diz que se sente mais irritada nessa época do ano. 

Consequências para a saúde

Mesmo que a diferença seja apenas de uma hora, a adaptação pode ser lenta e ser mais difícil para algumas pessoas. Segundo especialistas, a mudança pode causar os seguintes problemas:

  • Distúrbios do sono
  • Aumento de eventos cardiovasculares adversos
  • Transtornos mentais e cognitivos
  • crescimento no número de acidentes de trânsito nos primeiros dias após a mudança.

Pesquisa 

Entre os argumentos usados pelos cientistas no manifesto está um estudo de 2017 da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que abordou a forma como lidamos com a transição de horário.

A pesquisa foi baseada em questionários online e analisou as respostas de mais de 1.200 participantes sobre horários habituais de dormir e acordar, perguntando também sobre a chegada do horário de verão. A conclusão foi que mais da metade dos entrevistados relataram ter algum desconforto durante a vigência do horário.

Os pesquisadores destacam que a posição expressa no manifesto é baseada unicamente em evidências científicas, independentemente de inclinações políticas, defendendo que para preservar a saúde e o bem-estar, o ideal é manter a alteração nos horários fora dos planos.

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SOBRE

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.

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