Educação - undefined·28 de janeiro de 2019

Gaúcho de Santa Cruz do Sul, aluno do SENAI disputa vaga em competição mundial de profissões técnicas

Por Agência do Rádio
Ouvir ·

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

Por Pedro Marra

A WorldSkills é a maior competição de educação profissional do mundo e está prestes a começar para Cristiano Nunes. O aluno de 18 anos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Santa Cruz do Sul (RS) deve representar a escola na ocupação de robótica móvel. Ele está em Brasília para um período de treinamentos desde o dia 13 de janeiro e vai buscar uma vaga na equipe brasileira durante a 45ª edição do torneio mundial em Kazan, na Rússia. Este ano, a disputa ocorre entre os dias 22 e 27 de agosto na cidade do leste europeu.

Mas a relação de Cristiano com a competição vem de alguns anos atrás. Após uma entrevista de emprego no final de 2015 na filial de uma indústria em Santa Cruz do Sul (RS), ele começou a trabalhar como menor aprendiz durante o ensino fundamental II, com 15 anos. No início de 2016, a empresa chamou o jovem para o serviço. Com a parceria entre o SENAI e a companhia, Cristiano pôde fazer o curso de eletricista de manutenção eletroeletrônica na instituição de ensino.

"É uma coisa muito importante pelo fato de que algumas vezes a gente não se dá conta do quanto a gente pode ir adiante. Até quando surge uma oportunidade dessas, se tu se esforçar, as oportunidades vão acabar surgindo", comenta.

Cristiano (à direita) ganhou, junto d colega Emerson, a etapa seletiva nacional em julho de 2018 em Brasilia / Foto: arquivo pessoal

Em 2017, o agora competidor, estava no terceiro módulo de eletrônica, quando surgiu a chance de participar da etapa escolar das seletivas da Olimpíada do Conhecimento. Os quatro primeiros alunos foram escolhidos para formarem duas duplas na escola, e ele acabou campeão junto de um colega. Após ganhar a etapa seletiva nacional, em julho do ano passado, em Brasília, Cristiano ainda teve a oportunidade de representar o Brasil na delegação que foi para a WorldSkills América, que ocorreu em outubro de 2018 em Santiago, no Chile.

“Na hora da competição, se não tem harmonia entre a dupla, não funciona nada. O foco foi bastante importante para mim, mesmo com o pessoal passando em volta. Eu acho que a gente consegue passar bem o que está sentindo para o outro, qual é a dificuldade, se tem como resolver algum problema. A gente ainda tem muito para evoluir nesse período de treinamentos para a WorldSkills”, recorda.

Treinamentos

O instrutor de Cristiano, no período de treinamentos, é Paulo Villiger, que já participou de sete edições de WorldSkills como expert. Em 1997, ele foi para Saint Gallen, na Suíça na modalidade de mecatrônica. A mesma ocupação que o levou para Seul na Coreia do Sul, em 2001. Já em 2009 ele foi para Calgary, no Canadá, na modalidade do jovem competidor de robótica móvel. Daí em diante, seguiu na mesma ocupação em Londres (2011), Leipzig, na Alemanha (2013), São Paulo (2015) e Abu Dhabi (2017). Ele conta os conselhos que tem dado ao competidor, mesmo com contato recente.

“A partir do final da seletiva, com a vitória dele, a gente começou um trabalho com uma preparação para a competição mundial. O nível de exigência é muito maior, então a gente começa a exigir mais em termos de conhecimento. Fazer com que eles busquem capacitação em outras áreas, não só na área de programação, área de mecânica, de eletrônica. Fazer com que eles ampliem os horizontes de conhecimento deles”, analisa.

O gestor do projeto Brasil Kazan, José Luis Gonçalves Leitão, explica o apoio aos competidores. “Eles são treinados durante esse período que vão estar em Brasília. Temos mais centros de treinamento sem ser em Brasília. Temos um centro de treinamento em Porto Alegre (RS), em Joinville (SC), temos um em Belo Horizonte (MG), um em Belém (PA) e temos os três em Brasília (DF): Taguatinga, Gama e no Setor de Indústrias Gráficas. Esses 57 (competidores) do SENAI serão distribuídos nesses centros, sendo que a maioria está em Brasília. Um vai para Belém, um para Porto Alegre e quatro profissões em Joinville”, diz. Outros seis competidores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) também formarão a equipe brasileira na Rússia.

Ainda segundo o gestor, a fase de treinamento prevê alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores. “A primeira questão é que eles têm que ter consciência do desenvolvimento técnico, de desenho técnico, de metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto, de processos. Tudo isso é trabalhado dentro das habilidades que cada uma das profissões tem”, esclarece.

Cristiano (à direita) durante treinamento em Brasília para WorldSkills com o colega Emerson e o treinador Paulo Villiger ao fundo (de óculos) / Foto: arquivo pessoal

Conheça a WorldSkills

A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África, e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

Cristiano e os demais jovens vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de seis horas. Se ganhar uma vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, ele e os demais competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.

O grupo do Senai-RS, formado por 39 alunos, participou em 34 profissões. Após as seletivas, ganhou quatro ouros nas modalidades de Manutenção Industrial, Robótica Móvel, Tecnologia de Mídia Impressa e Mecatrônica; sete pratas em Instalações Elétricas Prediais, Refrigeração e Ar Condicionado, Jardinagem e Paisagismo, Design Gráfico, Pintura Decorativa, Carpintaria de Telhados e Tecnologia Automotiva; e três bronzes nas ocupações de Controle Industrial, Logística e Eletrônica.

SOBRE

Agência do Rádio

Ver todas as matérias
t-page