Após participar de um café da manhã, ao lado do presidente Michel Temer, o ministro da Defesa, Raul Jungman comentou o interesse da fabricante americana de aeronaves, Boeing em se fundir com a brasileira Embraer. Segundo o ministro, a Embraer produz aeronaves consideradas essenciais para as Forças Armadas do Brasil. Citando diretamente os caças que são produzidos pela empresa, o ministro afirmou que qualquer possibilidade da venda do controle acionário da Embraer traria danos à soberania nacional.
“Se nós fizemos isso, passar o controle acionário, isso significa que a empresa que comprar a Embraer, o seu congresso pode decidir algo como não produzir mais o caça que nós estamos fazendo. E esse caça, em uma país de oito milhões e meio de quilômetros quadrados é decisivo para a soberania nacional.”
A fala de Raul Jungman foi concedida à imprensa, após o próprio presidente Michel Temer falar sobre o assunto. De acordo com ele, negócios entre Boeing e Embraer até podem ser realizados, mas a transferência do controle da empresa está fora de qualquer cogitação.
“Toda parceria, repito, é bem vinda. O que não está em cogitação é a transferência, digamos assim, do controle da Embraer.”
A compra da Embraer pela Boeing seria uma resposta a francesa Airbus, principal concorrente da empresa norte-americana. A Airbus adquiriu neste ano, a canadense Bombardier, que assim como a Embraer, produz aeronaves de médio alcance, capaz de transportar algo em torno de 100 pessoas, setor onde a Boeing gostaria de fortalecer a atuação.
A Embraer tem hoje um valor de mercado que gira em torno dos US$ 3,7 bilhões. Apesar de ser uma empresa privada, o Governo Brasileiro tem poder de veto em decisões estratégicas. Isso ocorre por conta do sistema de privatização, feito na década de 90, quando o governo vendeu a companhia por meio de Golden Share.
Reportagem, Raphael Costa