No Amapá, o produto agrícola mais importante é o aipim. São aproximadamente 36 mil toneladas cultivadas em cerca de 5.600 hectares. Essa produção passa pelas mãos dos técnicos e extensionistas rurais do estado, responsáveis por levar novos conhecimentos e novas tecnologias de produção para os agricultores. Para chegar às pequenas propriedades, esses profissionais precisam percorrer longos caminhos.
Marcelo Neves, de 48 anos e que há 27 exerce a profissão, diz que se sente orgulhoso de ser um dos 203 extensionistas do estado. Ele conta um pouco da sua trajetória e do que aprendeu.
“Durante muito tempo eu trabalhei só - e tive que aprender muita coisa praticamente sozinho. Mas a gente vai crescendo com a experiência. Eu acredito que ser extensionista é ter empatia com o nosso público, que é o público rural. É você poder compartilhar o que você sabe e também ter a humildade de aprender com ele”.
Marcelo conta que no Amapá, muitas vezes os extensionistas precisam atravessar rios e florestas para cumprir as suas incumbências. A últimas delas foi ir à Ilha dos Aruãs para um treinamento com a comunidade.
“São duas horas e meia de voadeira. De barco são doze horas. Então é um local extremamente isolado e nós tínhamos de ficar uma semana lá. Então o extensionista tem que pensar assim: você vai para uma localidade, você não vai ter muito conforto e realizar seu trabalho. Então isso cria um vínculo maior e nos ajuda a superar esses desafios, né?”.
Osvaldo Dantas, presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá, a Rurap-AP, ressalta que a figura do extensionista tem colaborado para o avanço social do estado. Mesmo em meio às dificuldades estruturais de locomoção, eles mantêm o vínculo com as comunidades da região.
“Em algumas comunidades, especialmente aquelas mais distanciadas dos centros urbanos, onde as políticas públicas têm mais dificuldade de chegar, o serviço de extensão rural tem facilitado, pela sua abrangência, a chegar a essas famílias. Então onde o serviço chega, você percebe um melhor desenvolvimento dessas comunidades, dessas famílias carentes. É através, principalmente da extensão rural, que as políticas públicas estão chegando a essas comunidades”.
A atuação do extensionista e assistente técnico rural é muito importante nos municípios de produção agrícola. Há setenta anos, são eles os responsáveis por levar avanços tecnológicos e, junto com os produtores, pensar estratégias para uma maior eficiência no campo. Em todo o país, mais de 11 mil profissionais extensionistas fazem esse trabalho.
Reportagem, Vítor Mendonça