O estado de Rondônia é amplamente reconhecido na produção de café. Em competição nacional no ano passado, o estado ganhou o segundo, terceiro e quarto lugar do grão tipo Conilon. Em 2018, ficou em quarto lugar. A qualidade do produto se deve, em grande parte, ao trabalho dos técnicos em extensão rural. Em dezembro deste ano, esses profissionais celebram 70 anos de políticas que colaboram com o desenvolvimento agrário do país.
Em seis anos, a quantidade de café produzida quase triplicou em Rondônia, saltando de 10,8 para 30,9 sacas por hectare. Só neste ano, o estado contabiliza 1 milhão e 900 mil sacas produzidas. Os dados são da Companhia Nacional do Abastecimento (CONAB).
Luciano Brandão, de 38 anos, trabalha há 14 como extensionista em São Francisco de Guaporé. Ele conta a evolução da produção de café que o estado teve depois do trabalho dos assistentes técnicos e a grata surpresa em uma competição estadual.
“A cafeicultura de Rondônia era tida como uma cafeicultura de péssima qualidade, mas o estado vem fazendo um trabalho em que esse café vem sendo melhorado, tanto geneticamente como também em sua qualidade. E essa questão da qualidade, nós já fomos esse ano para o terceiro concurso de qualidade do café, feito aqui no estado de Rondônia em que tivemos um sobressalto muito grande: os primeiros colocados foram de comunidades indígenas daqui da região, que começaram a fazer esse café com qualidade e que ficaram entre os primeiros colocados”.
Segundo Francisco Mende, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado, a EMATER-RO, o serviço do extensionista rural contribui não só para o agricultor, mas também para a região como um todo. Ele fala sobre o papel desempenhado pelo profissional e o que espera do futuro da atividade.
“É o elo de ligação entre o homem do campo e a pesquisa. O extensionista tem essa grande missão de promover o desenvolvimento econômico e social; e ambiental também. Nós podemos dizer, sem dúvida nenhuma, que a extensão rural de Rondônia promoveu um grande desenvolvimento para esse estado. Nós estamos muito otimistas que as políticas agrícolas e sociais continuem. O campo é o que traz desenvolvimento para cidade, então se o campo não tem produção, também não vai ter desenvolvimento na zona urbana, principalmente naqueles estados como o nosso aqui, como Rondônia, que são estados eminentemente agrícolas”.
O presidente da Emater de Rondônia explica, ainda, que os profissionais precisam se adaptar à vegetação da região para atender as comunidades mais remotas que têm dificuldades em receber assistência técnica, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
Em Rondônia, são 617 profissionais da Emater que fazem esse trabalho. Em todo o país, o número passa de 11 mil.
Reportagem, Vítor Mendonça