Por Sara Rodrigues

No último final de semana, Goiânia sediou uma das etapas do Torneio SESI de Robótica First Lego League. 45 equipes dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se reuniram para apresentar projetos na competição organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a fabricante de brinquedos Lego.
Os estudantes, que tinham entre nove e 16 anos, foram desafiados a encontrar soluções para astronautas que viajam até o espaço e voltam com problemas de saúde. A ideia era abusar da criatividade e montar a soluções com peças sofisticadas da Lego. Na etapa regional em Goiás, a equipe finalista que levou o primeiro lugar foi a Lego da Justiça Planalto Canaã.
A solução apresentada pela equipe foi uma cadeira anti-impacto, feita para amortecer a batida dos astronautas em casos de colisão com outros objetos. De acordo com o técnico de robótica da Lego da Justiça, Fernando da Silva, a cadeira utilizada pelos astronautas atualmente além de não ser confortável, não absorve impacto. Portanto, pode causar lesões ao viajante espacial.
Para ele, o mais importante foi ver o interesse dos alunos por matérias que anteriormente pareciam mais difíceis. “A gente teve vários relatos de alunos que queriam fazer outros cursos, como medicina, e até mesmo tinham aversão à matemática. Eles passaram a gostar dessa matéria e de engenharia, e até cogitaram ser engenheiros mecatrônicos, ou civis por causa da robótica” afirma o professor.
O estudante Mateus dos Santos, 14 anos, revela que não tinha interesse em matérias de exatas. Ele tinha dificuldade e quando começou a participar das aulas de robótica e da competição, percebeu que não era tão difícil de entender.
“Eu comecei a me apaixonar por essa área de robótica, então eu acho que vou seguir nela. Estou pensando em fazer curso técnico durante o ensino médio de comunicação visual e aprender também um pouco de Photoshop”, explica Mateus. A ideia da comunicação visual veio porque uma das categorias era Design de Robô, onde a equipe era avaliada por planejamento, projeto e construção do robô.
As outras categorias eram Core Values, que avaliou o trabalho em equipe e espírito colaborativo, e também o Desafio do Robô, onde os robôs precisavam cumprir missões na mesa de competição durante dois minutos e 30 segundos.
A psicóloga escolar Adelaide Carvalho acompanhou todo o processo dos alunos, e percebeu que o comportamento, trabalho em equipe e controle de emoções foram áreas muito trabalhada no decorrer do tempo.
“Os meninos são muito focados e empenhados, e eles se esforçam muito para isso. E junto vem a ansiedade, a frustração de nem sempre as coisas saírem do jeito que eles gostariam. Em todo tempo a gente está trabalhando com isso, com essa metodologia e com esse controle da ansiedade e das expectativas”, defende Carvalho.
O próximo passo é concorrer na etapa nacional, que será em março de 2019 no Rio de Janeiro. Os estudantes vão continuar se preparando para apresentar o melhor trabalho, e quem sabe, garantir uma vaga no mundial, que será em Houston, nos Estados Unidos.