As aulas de geografia do estudante Bruno dos Santos, de 17 anos, se tornaram mais práticas e divertidas quando o professor aplicou um projeto diferente no Macapá. Os alunos começaram a aprender sobre os países, escalas e problemas estruturais nos computadores do laboratório de informática. Tudo isso com a ajuda da ferramenta Google Earth, que permite o acesso a qualquer lugar do mundo sem precisar sair de onde está.
MAIS: Acesse a versão desta notícia para blogs e portais
Bruno, que ainda cursa o Ensino Médio conquistou diploma de técnico em informática, conta que a experiência foi única por unir teoria e prática e ainda poder aplicar os conhecimentos de computação.
“Eu sempre gosto de aprender coisas novas, e isso foi novo porque não necessariamente eu vou precisar usar só para ver endereços e ver minha rua de casa. Posso ver muito além. Quem sabe agora que eu sei um pouco, se eu me interessar mais lá na frente, eu posso trabalhar com isso. Para mim, como aluno, depois de muitas experiências é bom falar que é sempre bom ter a teoria e a prática juntos. Ficar só na teoria é chato e só na prática a gente não entende os conceitos.”
O professor André Luiz Camilo, criador do projeto, da escola SESI Visconde de Mauá teve essa ideia quando ainda dava aulas para estudantes do ensino superior. Ele percebeu que muitos estudantes saiam da educação básica sem muito conhecimento sobre geografia, e decidiu utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade de ensino.
“Um dos nossos resultados positivos foi ver o espanto dos alunos em relação a alguns conceitos da geografia que, de certa forma, eram tão simples, mas quando trazidos no contexto textual eram difíceis de interpretar e entender. Como esses processos às vezes estão distantes dos nossos alunos, essa ferramenta vem aproximar um pouco essa realidade dos nossos alunos.”
O projeto teve boa aceitação dos alunos e a escola também deu um bom retorno para o professor. Mas o projeto não foi elogiado apenas no estado do Amapá, ele recebeu homenagem no 3º Encontro Nacional do sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI, no final de novembro, em Brasília. Para Sérgio Gotti, gerente-executivo de Educação do Departamento Nacional SESI, os professores precisam ser valorizados pelo trabalho que já fazem e para serem motivados a continuar.
“Os nossos professores têm um nível de formação que é superior ao nível de formação dos professores que atuam na rede pública, ou mesmo nas outras redes privadas. É um professor extremamente engajado que tem um uma qualidade de aproximação com o diretor da escola, e isso faz com que o professor tenha um trabalho diferenciado dentro da nossa rede.”
No próximo ano, o professor André Luiz Camilo pretende ampliar as pesquisas e o projeto por meio de ações em parceria com a Secretaria Municipal da cidade de Macapá. A ideia é desafiar os alunos a fazerem trabalhos de análises de ocupação, mobilidade urbana e questões de saúde pública.
Reportagem, Sara Rodrigues