Quase seis mil estudantes iniciaram um curso de engenharia aqui no Espírito Santo, no ano passado. Mas cerca de cinco mil que já estavam estudando, decidiram trancar o curso. As informações são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP.
O professor de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Espírito Santo, Fernando Menandro, acredita que “o Brasil não forma engenheiros com o perfil adequado que a indústria precisa”. Ele explica que um dos motivos é o formato de ensino adotado pelos professores.
“Nós precisamos urgentemente remodelar as nossas metodologias de ensino. Isso passa por um treinamento muito grande dos professores, principalmente, para que a gente possa atuar. Essa é uma das principais causas, na minha opinião, da evasão que tem nos cursos de engenharia. Eles são realmente difíceis, é difícil a pessoa completar o curso. Mas com a metodologia inadequada, eles ficam ainda mais difíceis.”
O especialista explica que, por esse motivo, nem sempre o professor consegue atrair a atenção do estudante, e isso acaba fazendo com que ele não tenha curiosidade pelos problemas práticos da engenharia, e em procurar criar soluções para isso.
O grande número de desistências do curso não está só no Distrito Federal. De acordo com o estudo “Ensino de Engenharia: Fortalecimento e Modernização” da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, a baixa qualidade do ensino fundamental e médio no Brasil causa impacto no desempenho dos estudantes que cursam ensino superior em todo o país.
A diretora de inovação da CNI e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, explica que o mundo tem mudado de forma muito acelerada, e por isso, é importante preparar bem futuros engenheiros para que eles acompanhem o ritmo da indústria.
“Se a gente não tiver engenheiros e engenheiras preparados para os impactos dessa revolução digital, a gente não vai conseguir ser um país competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”
O estudo da CNI, que faz parte de uma série de propostas que foram entregues aos presidenciáveis, neste ano, mostra que o Brasil forma menos engenheiros do que realmente precisa para se desenvolver economicamente.
Por isso, o estudo sugere que ocorra uma modernização nos currículos do curso e estimula o ensino técnico para que os estudantes já entrem na faculdade com conhecimento de base.
Enquanto Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria registram números de 20 engenheiros para cada 10 mil pessoas, o Brasil conta com cerca de cinco graduados para o mesmo número de pessoas.
Reportagem, Sara Rodrigues