Esporte - undefined·10 de julho de 2018

Especialista em dopagem afirma que usar amônia é comum no esporte e não crê em punição para a Rússia

<p>M&eacute;dico da sele&ccedil;&atilde;o russa admite que jogadores inalaram subst&acirc;ncia durante jogos da Copa</p>

Por Agência do Rádio
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O desempenho da Rússia na Copa do Mundo surpreendeu. Jogando em casa, os russos fizeram uma boa campanha na fase de grupos, eliminaram a Espanha, uma das favoritas ao título, nas oitavas, mas caíram nas quartas diante da Croácia. O resultado foi bom, mas o que os russos fizeram para alcançar isso?

Recentemente, o médico da seleção russa, Eduard Bezuglov, confirmou que os jogadores da equipe inalaram amônia para melhorar o desempenho em partidas da Copa. Segundo a biomédica da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, Lara Duarte, explica como a amônia interfere no desempenho dos atletas.

“A amônia é uma substância que tem alguns efeitos no quesito esportivo. O primeiro deles seria o de estimulante. Ela deixa a pessoa mais acordada, digamos assim. Então o atleta teria, supostamente, mais foco, teria mais atenção, mais força. A segunda questão, seria a questão de abertura das vias aéreas, de aumentar a circulação de oxigênio. Então, essas seriam os dois efeitos principais do uso da amônia pelos atletas”.

Médico da Rússia durante o mundial, Bezuglov defendeu que o uso da amônia não é configurado como doping. Segundo ele, “vários atletas fazem isso para ganharem ânimo” e a prática seria “utilizada há décadas”. A biomédica Lara Duarte se mostrou surpresa com a repercussão do fato. Segundo ela, a prática é, de fato, antiga e é considerada como algo normal no esporte.

“Essa prática, na verdade, ela é bem antiga. Inclusive, nós, profissionais do meio, estamos até espantados com a polêmica que tem causado isso porque isso é uma prática muito comum, há muitos anos, em várias modalidades, não só nos jogadores de futebol, mas têm muitos casos descritos no boxe, em levantamento de peso. Inclusive durante a competição do Rio 2016, houve um atleta, um halterofilista, que inalou amônia na frente das câmeras. Então, a gente está espantado mesmo com essa polêmica porque é uma coisa bem antiga mesmo”.

Apesar de fazer mal à saúde, a amônia não consta na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping, a Wada. Isso significa que a Rússia não deve ser punida, como explica Lara Duarte.

“Não, não há risco de punição. A amônia não está na lista da Wada, que é o órgão mundial de controle de dopagem, e é essa a lista que a FIFA se baseia para punir o uso de substâncias proibidas. Como a amônia não está nessa lista, eles não tem porquê sofrer punição”.

A Rússia já se envolveu em alguns escândalos relacionados a doping. Em 2017, o país foi banido pelo Comitê Olímpico Internacional e não participou dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018. O país europeu foi acusado de patrocinar uma rede de fornecimento de substâncias ilícitas para atletas e de fraudes em exames. Por conta disso, já havia sido proibido de participar das provas de atletismo das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, e teve seu laboratório antidoping suspenso pela Wada.

Reportagem, Paulo Henrique Gomes

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