Por Marquezan Araújo

Com o objetivo de promover a educação profissional e tecnológica para capacitar jovens e adultos que vão entrar no mercado de trabalho, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Espírito Santo (SENAI-ES) atua para elevar a competitividade da indústria capixaba.As unidades da instituição estão espelhadas em 10 cidades do estado, oferecendo mais de 70 cursos que vão da área técnica à qualificação profissional.
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Assim, mesmo pessoas que já trabalham em determinadas áreas, podem aperfeiçoar as técnicas por meio dos serviços oferecidos pela equipe do SENAI. É o caso do pintor Luiz Carlos da Silva, de 38 anos. O morador de Vitória já atuava na área de pintura imobiliária há quatro anos e, mesmo assim, achou que era preciso ampliar os conhecimentos exigidos na profissão.
Ele conta que a ideia de aprimorar os métodos surgiu ao ver um colega de trabalho usando técnicas de pintura adquiridas em um curso do SENAI. “Ele aprendeu técnicas de diluição, a maneira correta de aplicar uma tinta na parede, aprendeu texturas. E eu, mesmo já atuando na área, vi que precisava aprender um pouco mais”, relembra Luiz Carlos.
Ao perceber o desempenho do colega de profissão, ele não perdeu tempo e procurou a instituição. “Eu tive a iniciativa de procurar o SENAI de Vila Velha, e fiz a inscrição para o curso que, na época, era totalmente gratuito.
De acordo com Luiz, o conhecimento obtido por meio da equipe do SENAI foi o pontapé inicial para que ele de fato entendesse sua carreira. “Eu já trabalhava com pintura há uns quatro anos, mas eu posso afirmar que eu me considero profissional de verdade a partir do momento em que eu fiz o curso. Nesse momento eu entrei no mercado da pintura de verdade”, afirma.
“Aprendi a fazer os grandes trabalhos, a fazer bons orçamentos, a ter um bom relacionamento com cliente, a pegar um trabalho e iniciar ele bem e terminar ele bem, porque me foram passadas todas as técnicas desde como abordar o cliente a como ser ético no trabalho. Então eu posso falar com todo orgulho que me valeu muito a pena ter feito esse curso”, ressalta.
Segundo o diretor Regional do SENAI-ES, Mateus de Freitas, a instituição também pode ser uma garantia de facilidade para arranjar emprego, já que “os cursos oferecidos, além de manter e atualizar os atuais empregados, geram oportunidades para quem não está ativo no mercado de trabalho”.
“Quando a pessoa faz um curso desses, ela adquire as competências para contribuir dentro dessa nova realidade de empresas”, explica Freitas.
Futuro incerto
Em dezembro do ano passado, o atual governo anunciou a intenção de reduzir o envio de recursos financeiros que chegam ao Sistema S. Como o SENAI faz parte desse pacote, membros da instituição destacam que há um risco de as atividades do grupo reduzirem na mesma proporção.
De acordo com o diretor-geral do SENAI e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Rafael Lucchesi, em 76 anos de atuação da instituição foram treinadas mais de 73 milhões de brasileiros. “Além de promover um desenvolvimento industrial importante, vigoroso, nós também asseguramos um enorme canal de inclusão social, vocalizando e permitindo que pessoas de baixa renda tivessem um canal de cidadania propiciado pelo SENAI”, destacou.
“O SESI e o SENAI são administrados pela Federação das Indústrias, e isso é importante porque é a representação do empresariado brasileiro, que gera emprego, gera renda, gera desenvolvimento econômico, gera riqueza, e isso é decisivo”, defendeu Lucchesi.
Os cortes ao Sistema S sinalizados pelo governo federal ainda são incertos, mas podem variar de 30% a 50% do investimento que é repassado anualmente.