
Por Camila Costa
O setor produtivo do estado do Rio de Janeiro tem seguido a tendência nacional e reduziu as taxas de afastamentos dos trabalhadores por acidentes ou doenças. De quase 14 casos por mil vínculos empregatícios para menos de 12 casos. Os dados são do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, colhidos entre 2013 e 2016.
No ano passado, em todo o Brasil, foram registrados cerca de 549 mil acidentes de trabalho. Esse número mostra uma queda de aproximadamente 6% em relação a 2016, quando foram contabilizados cerca de 585 mil registros.
E o setor produtivo foi importante nesse processo. A indústria, por exemplo, foi um dos pontos-chave na redução dos números de acidentes de trabalho no país. Dados da Previdência apontam queda de cerca de 12% entre 2007 e 2016, em todos os segmentos econômicos, em todas as regiões do Brasil e, em algumas atividades industriais como a indústria de transformação, a quantidade de acidentes caiu quase 41%. Na extrativista, a redução foi de 33,6%.
O gerente consultivo de Saúde e Segurança do Trabalho da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), José Luiz Pedro de Barros, explica melhor como o estado caminhou para esses números positivos. Confira a entrevista:
Quais seriam os principais motivadores dessas reduções?
José Luiz Pedro de Barros: Independentemente da redução dos postos de trabalho, o número de acidentes de trabalho está reduzindo no Brasil. Não tem um motivo claro, na realidade é uma conjuntura, uma junção de várias situações que estão levando a esse cenário. Um, que poderia colocar, grosseiramente em três vertentes: mercado, ambiente de normatização e, por último, até de fiscalização. Quando o mercado começa a se tornar globalizado, então as empresas começam a sofrer mais com as influências pra entrar no mercado competitivo, inclusive, com sistema de gestão, a gestão da empresa passa a ser objeto de análise para entrar nesse mercado, os custos passam a ser também fortemente analisados, isso já ajuda. As empresas têm que se organizar melhor, têm que se cuidar melhor e ter sistema de gestões melhores para se inserir nesse mercado.
Como tem funcionado esse controle?
José Luiz Pedro de Barros: A fiscalização está mais assertiva em função de usar melhores ferramentas de análise, estudar mais os dados, agir com mais planejamento e inteligência, inclusive, para articular essa fiscalização. Esse cenário todo ajuda na redução desses números todos. Não é um processo que foi em um ano. É um processo que já vem, vamos dizer assim, da última década.
E no Rio de Janeiro, o que podemos citar de ações pontuais nesse sentido?
José Luiz Pedro de Barros: Temos toda uma linha de apoio. Há 22 anos temos sistema de TI que colocamos todos os dados relativos à saúde e segurança. Todo trabalhador que é atendido pelo sistema é identificado e temos o histórico laboral dele. Desde 1998 para cá, inicialmente na parte de medicina assistencial; e de 2002 para cá, a parte ocupacional também. Então temos todos os trabalhadores identificados e todo histórico, através de prontuário eletrônico, temos toda a vida laboral. Mesmo que tenha trabalhado na empresa A, depois foi para a empresa D, continua tendo. Eu não olho a empresa. Eu olho o trabalhador.
Que tipo de ação pode ser feita?
José Luiz Pedro de Barros: Consigo fazer um monitoramento melhor da saúde ele, inclusive, com dados de seus dependentes, porque também são atendidos na rede, esses dados também são colocados, consigo cruzar com dados da área de educação, consigo fazer perfil do trabalhador com mais clareza, então a gente consegue trabalhar com programas de hipertensão, de obesidade ou de um outro fator mais pontual, de arranjos produtivos locais, alguma coisa mais sensível, uma exposição a um agente químico, uma patologia mais sensível aquela atividade, a gente consegue monitorar e amenizar esse impacto ou até mesmo evitar essa situação.