Por Camila Costa
LOC.: Depois de três meses de capacitação, gerentes e técnicos do Centro de Inovação do SESI do Mato Grosso do Sul estão testando uma nova solução para dar mais agilidade na fase de pré-projetos: o Design Sprint. O método oferece aos gestores a capacidade de desenvolver soluções para problemas técnicos ou oriundos do setor produtivo em três dias, com o uso de ferramentas específicas e um cronograma de passo a passo.
A partir do Design Sprint, o Centro SESI de Inovação do Mato Grosso do Sul desenvolveu um projeto que pretende prevenir os acidentes em armazéns e silos de grãos, atividade em grande escala no estado e no país. Sem estatísticas precisas e oficiais sobre as mortes nesse tipo de espaços de trabalhos confinados, um levantamento feito pela BBC Brasil revela a periculosidade do serviço: foram 24 mortes em 2017, um crescimento de 140% em relação a 2016. E só nos primeiros seis meses deste ano foram 13 ocorrências.
Confira na entrevista do gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Ricardo Egídio Junior, o que é o Design Sprint e quais as vantagens dessa solução.
LOC.: O que é o Design Sprint?
TEC./SONORA: gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul
“É uma forma de você analisar, conhecer o problema ou a demanda, detalhar esse problema ou demanda, poder também idear – pegar o problema ou demanda e criar soluções, pensar em várias possíveis soluções, e a partir disso criar protótipo para avaliar a viabilidade. Então, quando fizemos essa capacitação no departamento nacional, isso trouxe pra gente uma visão pré-projeto, uma organização, de tal forma que a gente incorporou isso nos nossos processos. O design sprint veio para aprimorar nossa visão pré-projeto, para que a gente possa trabalhar os projetos e as problemáticas com maior assertividade.”
LOC.: Qual o impacto dessa solução?
TEC./SONORA: gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul
“Trouxe para a gente um grande desenvolvimento porque esse trabalho com processos anteriores nossos eram feitos com dias e às vezes, semanas, dependendo da dificuldade, a gente gastava semanas, dependendo do contexto. E com o design sprint não. A gente utiliza esse método aplicado em três dias. Então, em três dias, a gente consegue detalhar, entender o problema, fazer processo de ideação de novas soluções, fazer protótipo e já sair com solução no final dos três dias. Esse método propicia a gente reduzir drasticamente o tempo de análise pré-projeto para três dias e já sair com algumas soluções palpáveis.”
LOC.: E nesses três dias de trabalho, como o Design Sprint funciona?
TEC./SONORA: gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul
“Recebemos o que chamamos de caixa de ferramentas e essa caixa possui N modelos de ferramentas técnicas para você aplicar nesses três dias. E dentro desse modelo ele é dividido da seguinte forma: no primeiro dia, aplica ferramentas para entender o problema, desconstruir o conceito que tem sobre aquilo e começar o processo de ideação. No segundo dia, aplica outras ferramentas para continuar com a ideação, decidir, detalhar mais o negócio e, no terceiro, a gente prototipa, testa e aprende com o que fez.”
LOC.: Qual o problema foi apresentado a vocês?
TEC./SONORA: gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul
“O problema é, de fato, os acidentes fatais que acontecem em atividades com risco de espaço confinados. Como por exemplo as atividades em silos de grão, atividades de manutenção de máquinas, aqui no estado tem muitas empresas que trabalham com processos de grãos, eles criam silos imensos e é necessário fazer manutenção. E quando trabalhador entra lá, se não tiver toda estrutura, uma estrutura de segurança do trabalho, corre risco muito grande, porque pisa em grãos e é como se fosse uma areia movediça.”
LOC.: E qual foi a solução?
TEC./SONORA: gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul
“A solução que trouxe mais viabilidade técnica, econômica e escalabilidade foi a ideia de desenvolver um projeto chamado Smart Kipper, como se fosse uma ferramenta, um software, aplicado a alguns hardwares, que vão nos dispositivos de segurança desse trabalhador, para monitorar ele o tempo todo nas atividades. Esse Smart Kipper seria aderido aos equipamentos de proteção dele, câmera para que registrasse, sensores para verificar alterações de pressão, oxigênio, gases, tem vários aparatos para monitoramento em tempo real pelo gestor, pelo coordenador direto.”