
Começa agora mais um Agência Entrevista. O meu nome é Tácido Rodrigues e hoje nós vamos falar sobre a mega operação “Fake Money”, deflagrada pela Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. A fraude envolveu cerca de 3 mil contribuintes e, segundo a Receita Federal, os prejuízos aos cofres públicos são estimados em R$ 5 bilhões. Por isso, nós estamos aqui com o auditor fiscal e delegado da Receita Federal de Ribeirão Preto, Glauco Peter Alvarez Guimarães.
Delegado, segundo informações que nós apuramos, o objetivo desta operação era desarticular uma organização criminosa especializada em cessão de supostos créditos, simulando assim, a “quitação” ou a “compensação” de tributos federais. Foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão, certo? Quem são estas pessoas, e o quê que elas faziam?
“Elas se aproveitam de contribuintes, que neste caso são vítimas. Na verdade, são estelionatários, que procuram pessoas de bem, empresários e acabam vendendo créditos inexistentes, créditos provenientes de títulos públicos que, de fato, se forem verdadeiros – em alguns casos até existem – eles não têm possibilidade legal de compensação com tributos federais e, em outros momentos, os títulos nem existem, sequer são títulos verdadeiros. Então, de um modo geral, esse pessoal procuram as empresas que tem... evidentemente toda empresa tem tributos federais para serem pagos e oferecem à eles uma assessoria, uma venda, desses supostos créditos, dizendo que estes créditos são passíveis de compensação com tributos federais. Neste momento é feito um acordo, por meio de um contrato que é assinado formalmente entre estes vendedores e as empresas que estão comprando estes supostos créditos. E neste momento também é passado uma procuração da empresa compradora para a vendedora, que permite que a empresa vendedora represente a compradora perante a Receita Federal.”
Os mandados foram cumpridos em oito municípios de São Paulo, mais a capital paulista, em Curitiba, no Paraná e em Uberlândia, Minas Gerais. Como se trata de uma operação grande, quantos policiais e auditores-fiscais participaram para combater este esquema, delegado?
“Veja bem, é uma mega operação. Nós tivemos 130 policiais federais cumprindo 33 mandatos de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e da Receita Federal, 74 auditores-fiscais, mais uma equipe de apoio 2 analistas, mais algumas outras pessoas que apoiaram – no total 85 servidores da Receita participaram desta operação.”
Bom, além do principal mentor do esquema, foram presos empresários, advogados, economistas, consultores e contabilistas que atuavam como intermediários e operadores da fraude. Dentre os bens bloqueados pela Justiça, encontram-se recursos financeiros, imóveis e veículos.
Nós vamos para um pequeno intervalo e em breve a gente volta com o segundo bloco do Agência Entrevista. Fique aí que a gente volta já!