Os ajustes nos preços de frete, anunciados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), causaram debates em diferentes setores da economia, mesmo após a revogação. Por parte de entidades ligadas ao agronegócio, a medida é vista como prejudicial à competitividade brasileira e ao preço final repassado ao consumidor.
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Um dos pontos de negociação para o fim da greve dos caminhoneiros, o tabelamentos dos fretes fixa novos preços para o serviço, levando em conta fatores como quilometragem, quantidade de eixos, além de considerar as naturezas das cargas, divididas entre carga geral, a granel, frigorificada, perigosa e neogranel.
No entanto, os reflexos negativos apontados por diversos setores produtivos fizeram com que as autoridades recuassem e revogassem a decisão.
A tabela dos fretes com os preços foi publicada na quinta-feira (7) e foi mal recebida por representantes do agronegócio.
Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, a entidade sempre se posicionou contra a tabela de preços.
Fez questão de ressaltar de que o segmento de proteína animal depende fundamentalmente do transporte rodoviário e de que o modelo vigente sempre atendeu à demanda.
Na visão de Santin, as consequências da adoção do novo modelo de preços para o frete seriam insustentáveis.
“Representa aumento de preços. Não tem como não ter aumento de preços porque é aumento de custo. Nós não sabemos, somos uma entidade que não trabalha com preços, não sei qual o preço que cada empresa cobra, mas dependendo da empresa, situação e da sua conformação de logística, vai encarecer de acordo com cada caso. Digamos que a empresa fazia pequenos trajetos ou maiores trajetos. Por exemplo, uma empresa faz um trajeto de 90 quilômetros, 100 quilômetros. (A partir do quilômetro) 101, a tabela já pula para outro patamar. Essas diferenças, de um quilometro ou dois quilômetros, eram acertadas entre as partes. Com a imposição, vão ter que colocar um aumento que muitas vezes inviabiliza.”
Outra entidade que representa os produtores rurais e também se posicionou contrária à medida do governo foi a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Em nota publicada no site oficial, a CNA alertou que produtos como grãos chegariam a ter valores 152% mais caros, com um encarecimento de até R$ 13 mil no transporte do Mato Grosso ao Porto de Santos, principal rota para a exportação.
O texto, assinado pelo presidente João Martins, afirma que "a tabela não consideraria a interação entre todos os atores que compõe o sistema de transporte rodoviário".
Reportagem, Raphael Costa
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