A falta de mão de obra técnica profissional pode interferir de forma grave no crescimento das indústrias de Santa Catarina nos próximos anos.
De acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020, elaborado pelo Senai, os estados da região Sul do país vão precisar qualificar cerca de 350 mil trabalhadores de nível técnico profissional para atender as necessidades das empresas locais.
Para o deputado Federal, João Paulo Kleinübing, do PSD de Santa Catarina, o crescimento econômico desejado pelo país só será possível se houver investimentos fortes na qualificação profissional da população. Ele explica que a responsabilidade de preparar os jovens para o mercado de trabalho é dos estados.
“O Brasil para ter níveis de crescimento adequados, para aumentar a produtividade da economia brasileira, precisa passar por um forte investimento em ensino técnico. Esse tem que ser um compromisso especialmente dos estados, a quem compete a questão do ensino médio, de investir, de preparar as escolas técnicas para poder receber esse aluno, formá-lo e estimulá-lo ao mercado de trabalho.”
Em Santa Catarina, alguns setores demonstram crescimento, mas as horas trabalhadas na produção industrial caíram quase meio por cento em julho, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números são da Federação das Indústrias de Santa Catarina.
A produção de alimentos no estado cresceu quase sete por cento e a metalurgia registrou alta de quase quatro por cento. As vendas cresceram quase 15 por cento nas indústrias de informática e de produtos eletrônicos.
O presidente do Sindicato da Indústria da Informática, de Santa Catarina, Alexandre Cunha, ressalta que a mão de obra qualificada é fundamental para o setor. Ele lembra que as empresas somam forças com o governo do estado para capacitar os trabalhadores, mas o esforço não é suficiente para garantir o número necessário de técnicos profissionais para atender as demandas das indústrias catarinenses.
“Já temos uma parceria grande com o governo do estado. Ainda não é possível suprir toda demanda. Educação não é muito rápido. A mão-de-obra, os recursos humanos, eles são peças chave nessa indústria, que é uma indústria muito baseada em conhecimento.”
O Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020 do Senai aponta que o país vai precisar qualificar cerca de 13 milhões de técnicos profissionais para atenderem as necessidades das indústrias em todos os estados. As áreas com maior demanda são a de construção, meio ambiente e produção, e metalmecânica. Em média, os salários pagos para os profissionais técnicos podem ultrapassar os seis mil reais em determinadas áreas, como a de operadores de equipamentos em indústrias químicas.
De Brasília, Cristiano Carlos