Educação - undefined·31 de janeiro de 2019

Ensino médio integrado e em tempo integral cativa alunos no RS

<p>O Rio Grande do Sul utiliza a metodologia desde 2014, quando passou a oferecer o ensino m&eacute;dio em suas unidades SESI</p>

Por Agência do Rádio
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Por Paulo Henrique Gomes

Desde 2014, o Serviço Social da Indústria (SESI) do Rio Grande do Sul oferece aos alunos do ensino médio aulas que aliam a Educação Básica Articulada com a Educação Profissional (EBEP). Assim como a metodologia do Novo Ensino Médio, aprovada em 2017, o modelo oferece um currículo integrado por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas, e inclui formação técnica que permite aos estudantes iniciarem mais cedo a vida profissional.

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As escolas SESI, em todo o estado, também ofertam educação em período integral aos alunos do ensino médio. No primeiro ano, os estudantes aprendem apenas conteúdos básicos. A partir do segundo ano, começam a inserir os conceitos relacionados aos cursos técnicos.

Foto: Divulgação FIERGS

“A partir do segundo ano, eles começam a ter interface nas escolas do SENAI. Aí eles têm 25 a 30% do tempo no SENAI. E no terceiro ano, eles têm metade do tempo na escola SESI e metade do tempo na escola SENAI”, explica a gerente de Educação do SESI do Rio Grande do Sul, Sônia Bier.

Assim como no modelo de ensino utilizado no Novo Ensino Médio, as unidades do SESI gaúcho trabalham com um aprendizado contextualizado e integrado. Os alunos podem escolher uma formação técnica dentro da carga horária do ensino médio regular. Caso obtenha sucesso, ao final dos três anos, o estudante terá o diploma do ensino médio e o certificado do ensino técnico.

Segundo Sônia Bier, a metodologia de ensino cativa os alunos e traz mais resultados para os jovens. “Nós temos evasão zero. Nenhum aluno sai da nossa escola. Nós temos um nível de aprovação, por parte dos alunos, bastante alto. Gira em torno de 85, 90% dos alunos que entendem que essa é uma escola que faz muita diferença, é uma escola muito boa”, completa.

Novo Ensino Médio

A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 para 1.000 horas anuais até 2022. Além disso, a norma define uma nova organização curricular mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

O modelo começou a ser implementado pelo SESI e SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em 2018 em outros cinco estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo – com 226 alunos. Ao todo, são 3 mil horas para todo o ensino médio, que começa com mais ênfase nos conteúdos gerais e, gradualmente, aumenta-se o número de horas-aula para a formação do aluno.

Foto: Ítalo Novaes - Agência do Rádio Mais

Segundo a pedagoga especialista em gestão escolar Juliana Diniz, o Novo Ensino Médio é positivo e não pode esvaziar o papel da escola, que, por essência, precisa dar conta da formação do sujeito em todas as suas funções sociais.

“Nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinados interesses e, com isso, tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, o considerando pessoa de potência. Olhando ainda para uma concepção, essa ideia de trabalhar o ensino médio por percursos formativos tende a ser uma boa experiência”, analisa a especialista.

Próximos passos

Para 2019, o SESI e o SENAI programam uma expansão do modelo em suas unidades. Novos estados serão atendidos e novas habilitações serão ofertadas. Além de Eletrotécnica, os estudantes poderão optar pelas áreas de Matemática, Ciências da Natureza, Técnico em Mecânica ou Técnico em Rede de Computadores.

Então ministro da Educação, Rossieli Soares homologou em novembro do ano passado as Diretrizes Curriculares Nacionais do Novo Ensino Médio. A proposta foi relatada pelo diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, que é integrante do Conselho Nacional de Educação.

Segundo Lucchesi, nenhum país se desenvolveu sem fazer uma grande aposta em educação, ciência, tecnologia, inovação, pilares fundamentais de uma agenda de país.

“A expectativa é da população brasileira. É claro que temos um grave problema na indústria brasileira, que é a baixa qualidade, a baixa escolarização da média populacional brasileira, o que faz com que a produtividade do trabalho no Brasil seja muito baixa”, afirma.

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