Ciência & Tecnologia - undefined·26 de setembro de 2018

Empresas precisam compreender benefícios das tecnologias digitais para produção, defende diretor do SENAI-RS

Por Agência do Rádio
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Por Paulo Henrique Gomes

No final do século XVII a grande inovação foi a máquina a vapor. Agora, no século XXI, serão os robôs integrados em sistemas digitais os responsáveis por uma grande transformação. A Indústria 4.0, também conhecida como quarta revolução industrial, é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas.

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A Indústria 4.0 reforça o conceito de que a cadeia de produção das empresas precisa passar por uma transformação digital. Segundo o diretor do SENAI do Rio Grande do Sul, Carlos Trein, o setor no estado já começou a utilizar as tecnologias da Indústria 4.0. “Existem empresas gaúchas e nacionais, de um modo geral, já muito bem alinhadas nesse processo. Existem empresas que já estão adotando na sua plenitude os estágios mais maduros da chamada Indústria 4.0”.

Um dos exemplos de quem está buscando é o da Tondo S/A, de Caxias do Sul. A empresa produz farinhas, massas e biscoitos, e recebe, atualmente, consultoria do SENAI para implantar mecanismos tecnológicos em seu processo de produção. Foram instalados medidores e redes tradutoras de dados. “Mapeamos o processo da fábrica inteira com o objetivo básico de aumentar a produtividade. Aumentar a produtividade e qualidade”, conta o diretor administrativo e financeiro da empresa, João Luiz Roth.

Em dezembro de 2017, o Núcleo de Engenharia Organizacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou uma pesquisa com 87 empresas gaúchas – de médio e pequeno porte, em maioria – com o objetivo de analisar o cenário da Indústria 4.0 no estado. De acordo com o levantamento, 75% dos empreendimentos não possuía à época trabalho colaborativo homem/máquina.

Indústria gaúcha precisa evoluir em relação à Indústria 4.0

Já 60% das empresas ouvidas não utilizava identificação eletrônica de produtos para rastreamento no processo produtivo – denominada rastreabilidade do processo –, enquanto 23% usava. Isso demonstra, na visão de Carlos Trein, “um grande desconhecimento, uma grande mitificação da Indústria 4.0 e uma dificuldade da compreensão dos benefícios do uso dessas tecnologias na produção da manufatura industrial no estado e no País”.

Brasil

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 48% das grandes empresas brasileiras pretendem investir em tecnologias 4.0, ainda em 2018. A entidade, por meio de um estudo que compõem propostas para os candidatos à presidência da República, destaca transformações na gestão empresarial. Por exemplo, a cooperação entre as áreas de Tecnologia da Informação e as de produção, e a necessidade que as empresas desenvolvam e/ou aperfeiçoem seus modelos de negócio, principalmente no que tange ao relacionamento com fornecedores e clientes.

A implementação das tecnologias ligadas à internet das coisas, nos diversos setores da economia, deverá impactar o PIB brasileiro em aproximadamente US$ 39 bilhões, até 2030. O ganho pode alcançar US$ 210 bilhões, caso o país crie condições para acelerar a absorção das tecnologias relacionadas. Até 2025, os processos relacionados à Indústria 4.0 poderão reduzir custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40%, reduzir o consumo de energia entre 10% e 20% e aumentar a eficiência do trabalho entre 10% e 25%.

“Precisamos nos organizar em vários eixos. Então organizar a empresa, a cultura da empresa, trabalhar a empresa para ela ser mais digital é importante”, defende especialista em Desenvolvimento Produtivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo.
 

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