
Por Camila Costa
Mais de 45 empresas deram o pontapé inicial ao programa SENAI 4.0 no Amazonas, e já começam a entender e incorporar a Indústria 4.0 – conhecida como a quarta revolução industrial – aos seus processos de produtivos. O programa foi lançado no último dia 12 e tem o objetivo de discutir o assunto e implementar as mudanças tecnológicas no processo fabril das empresas. Estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o Propostas para as eleições 2018 - Indústria 4.0 e Digitalização da Economia, aponta que o caminho rumo à digitalização será decisivo para assegurar a competitividade.
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A incorporação da digitalização à atividade industrial resultou no conceito de Indústria 4.0. Esta nova fase é caracterizada pela integração e controle da produção, com base em sensores e equipamentos conectados em rede e na fusão do mundo real com o virtual. Essa fusão cria os chamados sistemas ciberfísicos e potencializa o emprego da inteligência artificial. O estudo completo da CNI está disponível neste link.
Nos últimos dois anos, ainda de acordo com a CNI, aumentou em 10 pontos percentuais o número de grandes indústrias brasileiras que utilizam tecnologias digitais. Entre o início de 2016 e o de 2018, o percentual das empresas que utilizam pelo menos uma das 13 tecnologias digitais consideradas nas entrevistas passou de 63% para 73%.
No Amazonas, a maioria das empresas ainda está com o desenvolvimento da Indústria 4.0 em fase inicial, em busca da adequação dos processos fabris a essa nova realidade, como explica o gerente da escola SENAI Antônio Simões, José Nabir de Oliveira Ribeiro. “Aqui, enxergamos que o processo está embrionário. As empresas têm procurado atores regionais para começar a discutir o que é isso, o que é manufatura avançada, o que é Indústria 4.0, e, dentro desse contexto, o SENAI é um ator importante nesse contexto. A gente percebe que as empresas não sabem muito bem o que é a Indústria 4.0”, aponta o gerente.
Nesse sentido, o SENAI 4.0 oferece, justamente, o suporte necessário para a entrada nesse novo universo, com atendimento e consultorias a empresas que queiram adequar seus processos à temática 4.0. Caso da empresa do Pedro de Faria e Cunha Monteiro, de 32 anos, a Virrosas, fabricante de vinagre há mais de 100 anos no Amazonas. Depois de passar por duas revoluções, chegou a hora de introduzir a digitalização. Com a ajuda do SENAI, eles se preparam para a incorporação de sensores digitais nos processos de produção do vinagre.
Atualmente, entre as etapas da produção – rotulagem e encaixotamento –, as máquinas sofrem interrupções. Com os sensores, Pedro espera identificar o problema mais rapidamente, reunir essas informações e, por meio de um aplicativo, consolidar os dados e achar soluções mais eficazes. “Ele [aplicativo] consolida todos os dados da forma que fique mais fácil você visualizar os motivos de interrupção. A gente pega esses dados e faz um plano de ação para diminuir essas paradas. A gente ganha produtividade, o que aumenta nossa competitividade e, no final, traz lucros, uma produção mais enxuta, e economiza todos os tipos de recursos, como matéria-prima, energia”, explica o sócio-diretor da empresa.
Segundo Pedro, a mudança é desafiadora, mas coloca a empresa à frente no mercado. “Tenho total ciência de que não é uma escolha. É uma obrigação de quem quiser estar no mercado daqui a 10, 15, 20 anos, é uma obrigação estar inserido na Indústria 4.0. O mercado, as tecnologias têm mudado muito e quem não entrar na Indústria 4.0 vai ficar para trás, obsoleto, e é questão de tempo para não existir mais no mercado, no caso de não estar inserido neste contexto”, observa.
