Por Paulo Henrique Gomes
O termo “Indústria 4.0” está cada dia mais forte e faz parte da transformação digital que movimenta a cadeia produtiva de empresas em todo o mundo. Isso porque para ganhar competitividade no mercado, essas empresas passam a investir cada vez mais em processos automatizados, com a inclusão de tecnologias de conectividade e alto processamento de dados, características da chamada Indústria 4.0, também conhecida como quarta revolução industrial.
O objetivo essencial da indústria 4.0 é tornar não apenas as fábricas, mas todo o ecossistema industrial mais rápido, autônomo e eficiente. A ideia é encontrar novas oportunidades e modelos de negócios através da automação dos processos. Na opinião do Gerente de Tecnologia e Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Goiás, Rolando Vargas Vallejos, a Indústria 4.0 torna o processo das empresas mais ágil e interligado. “Todo este conceito ajuda e muito para que as indústrias sejam mais ágeis, colaborem entre si e as cadeias que eles têm, tanto de fornecedores, clientes, seja mais forte e muito mais rápida”, afirma.

Segundo Vallejos, apesar da resistência por parte das pequenas e médias empresas no estado em aderir às tecnologias da Indústria 4.0, já é possível observar resultados positivos em relação ao assunto na indústria goiana. O Gerente de Tecnologia e Inovação do SENAI de Goiás explica que os responsáveis pelas empresas ainda possuem receio em implantar os recursos da quarta revolução industrial, mas que isso não é necessário.
“Em Goiás, temos muitos profissionais que já estão fazendo isso. Já temos algumas experiências em empresas como piloto e temos tido resultados muito bons. Entendemos que o empresário nesse momento, alguns deles ainda não entendem o que que é a Indústria 4.0 e alguns ainda estão assustados com esse termo. Alguns veem que isso é algo distante, mas isso é uma realidade. Então temos nos preocupado em demonstrar que essas tecnologias já estão aí e é necessário que ele aplique e não tenha medo”, disse.
O Especialista em Desenvolvimento Produtivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo, defende a importância da adesão de novas tecnologias por parte das empresas. “A gente precisa organizar em vários eixos. Então organizar a empresa, a cultura da empresa, trabalhar a empresa para ela ser mais digital é importante”, defende.
Competitividade
Na opinião do professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Inovação, Tecnologia e Recursos, Antônio Isidro, as empresas precisam voltar suas atenções à Indústria 4.0 para não perder participação no mercado. “A gente tem percebido que empresas que ainda não fizeram processo de assimilação dessa nova mentalidade, nova maneira de se integrar aos mercados, vão precisar fazer isso com alguma rapidez, caso contrário vão perder participação no mercado”, defende.
De acordo com estudo realizado pela CNI, dos 24 setores industriais brasileiros, 14 precisam adotar com urgência estratégias de digitalização para se tornarem internacionalmente competitivos.
E é por isso que propostas para o Brasil alcançar a Indústria 4.0 foram identificadas por meio do estudo Indústria 4.0 e Digitalização da Economia, realizado pela CNI e encaminhado aos candidatos à Presidência da República em junho deste ano. Medidas de apoio à modernização industrial e aplicação de tecnologias digitais, disponibilização de mecanismos específicos para promover o desenvolvimento tecnológico, ampliar e melhorar a infraestrutura de telecomunicação estão entre as sugestões.