A menos de quatro meses para as eleições, o combate ao desemprego vem sendo intensamente debatido entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto. O problema específico de São Paulo, por exemplo, é tratado por Ciro Gomes, do PDT, como prioritário, uma vez que, segundo ele “São Paulo é, a um só tempo, o centro da crise brasileira e o centro para a saída da crise”.
“A construção civil, por exemplo, só ela já matou nos últimos anos em São Paulo quase 400 mil empregos. Obra parada é o que não falta para todo lado porque se retirou os mecanismos de financiamento, de infraestrutura do Brasil. E esse o dinheiro, mais cretinamente falando, está ouvindo a conversa, parado nas gavetas do BNDES, enquanto nossa gente está obrigada a viver no biscate, como se chama lá no Nordeste”.
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Ciro Gomes, que já foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, defende que a geração de empregos em São Paulo deve ser pensada a partir das características específicas do estado.
“Se você olhar aqui a capital, a Região Metropolitana de São Paulo, nós estamos falando de Indústria e de Serviços. Mas se você for para a região Noroeste do estado de São Paulo, temos a pujança do agronegócio. Cada um deles tem uma agenda e eu dou exemplo. Vamos começar: petróleo, gás e bioenergia”.
Ainda quando o assunto é a geração de emprego, a reforma trabalhista aprovada pelo governo Michel Temer em 2017, também se tornou um dos pontos explorados pelos pré-candidatos que se pronunciam sobre o tema.
Em evento organizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) para a comemoração do dia do Trabalhador, a ex-senadora Marina Silva, da REDE, criticou o Congresso por não ter votado a Medida Provisória 808, que ajustava pontos da reforma. "Agora voltou tudo ao que era antes (da MP), estamos em uma situação de total insegurança jurídica. Um grupo está em um sistema e outro grupo está em outro".
Para Aldo Rebelo, que pretende concorrer ao Planalto pelo Solidariedade, "qualquer reforma tem que levar em conta a defesa do desenvolvimento, do crescimento, das empresas, mas também a proteção dos direitos dos mais fracos”.
O candidato Ciro Gomes defende uma reforma trabalhista que realmente respeite a relação patrão/funcionário e diz que a reforma atual foi imposta ao povo brasileiro. ‘Eu não vou revogar essa reforma trabalhista, senão pela absoluta aberração que ela representa. Mas eu não tenho medo de reforma, muito pelo contrário, eu vou propor uma reforma muito moderna, muita avançada. Mas os valores que vão guiar essa próxima reforma que eu vou propor, protegerão o trabalho, introduzirão de novo segurança jurídica e segurança econômica no mercado de trabalho”, afirmou Ciro Gomes.
Defensor da reforma Trabalhista, o pré-candidato do PSDB à Presidência Geraldo Alckmin acredita que o emprego é o maior problema do futuro porque “a tecnologia desemprega”, uma vez que produz mais com menos funcionários. Em palestra, no mês de abril, na Associação Comercial de São Paulo, o político disse que a alternativa para superar esse desafio está na Construção Civil, que, segundo ele é “altamente empregadora”.
“A tecnologia desemprega. Você consegue na Agricultura produzir mais com menos gente. Na Indústria, a automação, o robô. Se você pegar banco, um banco que tem hoje 20 mil funcionários, ele vai ter muito menos. Então, onde as pessoas vão trabalhar? E aqui vale a pena chamar a atenção para infraestrutura, saneamento e moradia, Construção Civil”.
Outro presidenciável que tem defendido a reforma trabalhista é Jair Bolsonaro, do PSL. No último mês, em palestra Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Bolsonaro disse que “aos poucos a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego". Bolsonaro afirmou que, caso eleito, estimulará a economia – consequentemente o mercado de trabalho – por meio de privatizações "com critério".
A Reforma Trabalhista, entre outros pontos, prevê a possibilidade da divisão dos 30 dias de férias e determina que ajustes na jornada de trabalho, quando de comum interesse, tenham força de Lei, desde que respeitados os limites previstos na Constituição. A norma também deu fim à obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical.
Reportagem, João Paulo Machado