Mais de 30 por cento dos jovens, entre 16 e 19 anos, não estudavam e tão pouco trabalhavam no Ceará, em 2016. No ano seguinte, a quantidade de jovens desempregados no estado, comparada com o número total de trabalhadores sem emprego, representou 136 por cento. Os dados são da PNAD contínua, do IBGE.
Além disso, o interesse do estudante pela formação universitária e o baixo desenvolvimento das profissões no ensino regular contribuem para a escassez de mão-de-obra qualificada no mercado de trabalho e para o alto índice de desemprego entre os jovens, como apontam especialistas, como a Gerente de Educação Básica e Profissional do SESI e SENAI, do Ceará, Sônia Parente.
Ela ressalta que o estudante precisa desmistificar o ensino universitário como única porta de entrada no mercado de trabalho.
“No Brasil, já tivemos épocas em que existiu uma valorização muito grande do técnico. Voltou novamente, depois, na década de 2000, para a questão da academia, do acesso a uma universidade.”
De acordo com pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016, 40 por cento das empresas têm dificuldades para encontrar profissionais aptos a preencher vagas técnicas. O problema é a falta de qualificação dos trabalhadores.
O Gerente Executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional das Indústrias, Márcio Guerra, lembra que a educação técnica profissional pode ser considerada uma porta de entrada ao emprego e caminho próspero para a carreira do jovem.
“A educação profissional tem um papel fundamental, não só para os jovens, mas para todo aquele cidadão que quer ingressar no mercado de trabalho. Ela pode ser considerada um caminho mais curto.”
De acordo com uma pesquisa realizada pela PUC-Rio, entre dois trabalhadores, com mesma escolaridade, aquele que optou pela educação profissional pode ter salário até 20 por cento a maior no mercado de trabalho nordestino.
Com a colaboração de Cristiano Carlos, reportagem, Paulo Henrique Gomes