Mais de 30% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam. Segundo a última Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2018, são 6,9 milhões de jovens com idade entre 18 e 24 anos que não avançam na escolaridade e na qualificação.
Já aproximadamente 1,5 milhão de jovens de 15 a 17 anos, que deveriam estar cursando o Ensino Médio, estão fora da escola. O número corresponde a cerca de 15% da população dessa faixa etária. A baixa qualidade de ensino, a falta de atratividade e os obstáculos sociais são alguns dos fatores responsáveis pela desistência dos alunos ou pela reprovação logo no início do ensino médio.
Para o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) associada à educação profissional, é a ferramenta ideal para superar esse quadro.
“A EJA, associada ao ensino profissionalizante, teria um papel absurdamente emancipador e transformador, colocando um enorme desafio de ampliar a inclusão social na sociedade brasileira e criando, com isso, mais oportunidades de emprego, trabalho e empreendedorismo para esse contingente populacional.”
O professor e pesquisador do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Borges de Andrade, destaca que a educação profissional é discutida há décadas como importante ferramenta para o crescimento do país.
“O que nós vimos depois da metade do século passado, especialmente depois da década de 80, foi o aparecimento da discussão da importância da educação para melhorar a competitividade. Isso aparece em função de mudanças no mundo do trabalho, em função de uma nova etapa da globalização.”
Em julho deste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou aos candidatos à Presidência da República propostas para aumentar a competitividade da indústria e do Brasil. Entre as propostas está o fortalecimento da educação. O objetivo, segundo a entidade, é construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.
Reportagem, Aline Dias