Por Aline Dias
Os setores de construção, alimentos, serviços industriais de utilidade pública, químicos e derivados de petróleo e biocombustíveis são os que possuem maior participação no PIB industrial de Goiás. Juntos, esses segmentos representam 81,8% da indústria do estado. A média salarial dos empregados na indústria é de R$2.206,90. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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Segundo a diretora de Educação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Goiás (SENAI-GO), Ivone Moreyra, a instituição forma e qualifica, anualmente, cerca de 214 mil profissionais para atuarem nestas áreas. A quantidade de alunos que garantem uma vaga de emprego após a conclusão do curso técnico chega a 90%.
Ainda de acordo com Ivone, a educação profissional é fundamental para integrar teoria e prática, e, por isso, é o caminho mais rápido para chegar ao mercado de trabalho, ter bom desempenho e auxiliar no aumento da produtividade.
“As pessoas acham que saber fazer é suficiente, mas não. Você precisa saber fazer e entender o que está fazendo para ser capaz de alterar o modus operandi desse fazer, para ele ser melhor. Essa visão é fundamental e uma forte razão para que o Brasil se desenvolva e ganhe qualidade na sua capacidade de competitividade no mundo internacional dos negócios e da sobrevivência enquanto nação”, explica.
De acordo com o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da CNI, Márcio Guerra, apesar de a educação profissional ser considerada um caminho mais curto e democrático para o emprego, não substitui a educação superior e não elimina a necessidade da Educação Básica. “É importante que as pessoas entendam que esse processo de se atualizar e de conhecer novas coisas e novas tecnologias, ter novos conhecimentos, é crucial para que eles se mantenham durante um bom tempo no mercado de trabalho”, pondera Guerra.
É no que acredita Lucas Willy de Morais, 20 anos, que apesar da pouca idade, já possui no currículo dois cursos de aprendizagem, uma qualificação e um curso técnico. Lucas é paraense e se mudou para Goiânia em 2014, aos 15 anos. Enquanto concluía o ensino fundamental, ingressou nos cursos de mecânico automotivo e eletricista automotivo. No Ensino Médio, continuou buscando formação técnica. Fez uma qualificação em torneiro mecânico e logo começou o curso técnico em mecatrônica. Foi o que garantiu o emprego de operador de máquinas na indústria goiana.
“Acho que hoje em dia se você não tiver estudo não tem como ingressar no mercado de trabalho. Na época que eu fui concorrer à vaga, isso foi o diferencial, porque como eu não tinha experiência em indústria acho que o que levou à minha contratação foi o curso técnico”, destaca. Lucas garante que os cursos não param por aí, já que pretende ainda cursar automação em mecatrônica, e, em seguida, uma graduação em engenharia mecânica.
Educação e consolidação da indústria
Pesquisa realizada pela CNI, em 2016, apontou a importância da Educação Básica para a consolidação da “indústria do futuro” no país. No total, 42% das empresas industriais consultadas consideravam que o investimento em novos modelos de educação e em programas de treinamento seria uma das principais medidas para acelerar a adoção de tecnologias digitais.
Essa é uma das propostas encaminhadas pela confederação, em julho deste ano, aos candidatos à Presidência da República. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria e do Brasil, e construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.
O professor e especialista em educação e psicologia, Luiz Síveres, explica que fazer com que o conhecimento chegue com qualidade até a população é fundamental para o crescimento de um país. “A educação sempre foi um elemento propiciador do desenvolvimento do país. Outras nações, que optaram por priorizar a educação, têm resultados econômicos mais favoráveis. O Brasil, também percebemos, no momento em que fortalece este segmento, que dispõe de mais recursos para a educação, também tem indicadores melhores, até mesmo na economia”, ressalta.
Além disso, o especialista destaca que a tecnologia, a inovação e a criatividade são elementos que precisam estar no processo educativo para que ocorram as mudanças necessárias no atual cenário da educação.
As mudanças são necessárias para acompanhar os impactos da Indústria 4.0, a 4ª Revolução Industrial, que trará a integração do mundo físico e virtual, por meio de tecnologias digitais. Engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D são algumas das novas profissões que devem surgir e se consolidar no mercado nos próximos cinco a dez anos, de acordo com o SENAI. A previsão é que surjam 30 novas ocupações em oito áreas.
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