Por Sara Rodrigues
Os cursos de engenharia de São Paulo receberam 82 mil e quinhentos alunos, no ano passado. Mas 32 mil que já estavam cursando, decidiram trancar a faculdade.
Para a especialista em educação em engenharia Maria de Fátima de Souza, isso se explica pela complexidade de algumas disciplinas aplicadas durante o curso.
Ela entende que é necessário reavaliar os métodos de ensino. “Existe um problema grave que desmotiva os alunos e que talvez seja a razão dessas taxas altíssimas de evasão, que é o fato da disciplina de cálculo ser levada mais ensinando procedimentos para a resolução de problemas, do que necessariamente entendendo como você aplica o conceito”, explica.
O grande número de desistências do curso não está só em São Paulo. De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria, a CNI, a baixa qualidade do ensino fundamental e médio no Brasil causam impacto no desempenho dos estudantes que cursam ensino superior em todo o país.
A diretora de inovação da entidade e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, explica que o mundo tem mudado de forma acelerada, e por isso, é importante preparar bem futuros engenheiros para que eles acompanhem o ritmo da indústria.
“Se a gente não tiver engenheiros e engenheiras preparados para os impactos dessa revolução digital, não conseguiremos ser competitivos e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”.
O estudo da CNI, que faz parte de uma série de propostas que foram entregues aos presidenciáveis, neste ano, mostra que o Brasil forma menos engenheiros do que realmente precisa para se desenvolver economicamente. Enquanto Coreia, Rússia, Finlândia e Áustria registram números de 20 engenheiros para cada 10 mil pessoas, o Brasil conta com cerca de cinco graduados para o mesmo número de pessoas.