O economista Marco Antonio Rocha, responsável pelo plano econômico do candidato à Presidência da República Guilherme Boulos, do PSOL, participou de sabatina realizada pelo Estadão em parceria com a FGV, nesta terça-feira (7), em São Paulo.
O economista comentou sobre a proposta econômica de Boulos que foi apresentada ao TSE, e disse que a economia do país só vai recuperar o dinamismo se o Estado recuperar a capacidade de investimento. Ainda segundo ele, "programas emergenciais" para "salvar a economia precisam sinalizar um novo modelo de desenvolvimento".
O economista também destacou que um plano emergencial factível “tem de ser pensado não apenas para solucionar a questão de emprego e renda em curto prazo, mas também precisa ser estruturante para um médio e longo prazo”.
Rocha falou ainda da necessidade de voltar as atenções para as empresas estatais, como a Petrobras e bancos públicos, por exemplo. Sobre uma eventual possibilidade de independência do Banco Central, o economista afirmou que a chapa propõe uma "quarentena" em relação à ocupação dos cargos-chave da instituição, além de pedir transparência. na ocasião, Rocha resaltou que se Boulos for eleito em outubro não existe planos do PSOL para realizar privatização de estatais.
“A gente tem que repensar os modelos de refinanciamento para essas políticas. A gente não pode usar o caixa da Petrobras para financiar política industrial quase que completo pro Brasil por uns cinco, seis anos. Mas repensando os canais de financiamentos e as formas de financiamento e as práticas de preços dessas empresas públicas, a gente pode reconduzir essas empresas estatais para o papel delas de instrumento de desenvolvimento econômico. Então, a primeira coisas que temos que fazer é colocar um fim na política de privatizações”.
Em um dos eixos que compõe a campanha de Boulos, Marco Antonio cita que o candidato pretende reestruturar a gestão macroeconômica. De acordo com ele, a ideia é que o presidenciável seja colocado em um eventual governo com uma política que permita ao Estado navegar contra a crise e com capacidade se investimento a longo prazo.
“Como eu falei, a gente tem que organizar nosso regime fiscal em um ponto de vista menos fiscalista e mais para dar abrigo para essas políticas de desenvolvimento e isso é muito importante para a gente conseguir o país em um desenvolvimento econômico. Então precisamos reorganizar essa estrutura e coloca no lugar uma estrutura de gestão macroeconômica que permita que o Estado reaja a essa crise."
O economista Marco Antonio Rocha foi o primeiro sabatinado. Ainda vão participar do encontro os economistas responsáveis pela elaboração dos programas econômicos de governo dos principais candidatos à Presidência como Marina Silva, João Amôedo, Meirelles, Lula, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Bolsonaro.
Reportagem, Juliana Gonçalves
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