Reflexo da crise econômica enfrentada pelo Brasil nos últimos anos, o desemprego é um drama que aflige quase duas milhões de pessoas somente no estado de São Paulo, segundo números do IBGE. A situação é considerada grave por especialistas. Isso porque o desemprego provoca uma cadeia de efeitos negativos tanto no aspecto econômico, como no social.
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Diante dessa situação, a dinâmica do mercado de trabalho costuma ser lenta, fazendo com que a recuperação também seja demorada. É o que explica Clemente Ganz, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
“As empresas produzem menos, o comércio vende menos e contrata menos. A indústria, portanto, o mercado de trabalho, tem maior dificuldade. Nos últimos doze meses, vem se observando algumas recuperações, até marginais, na economia e no mercado de trabalho”.
A avaliação do diretor do Dieese pode ser reforçada pelos últimos números divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). De acordo com o levantamento, nos últimos 12 meses, o estado de São Paulo contratou 4.523.756 pessoas com carteira assinada e demitiu 4.449.194. Um saldo de 74.562 vagas criadas no período. Já nos quatro primeiros meses de 2018, foram criados 130.587 postos de trabalho. Os números foram principalmente impulsionados pelo setor de Serviços. Sozinho, o segmento criou pouco mais de noventa e oito mil (98.047) novas vagas de emprego. Entre janeiro e abril, foram contratados 802.576 profissionais, enquanto outras 704.520 pessoas foram mandadas embora.
Quando o acumulado dos últimos 12 meses é levado em conta, a Construção Civil é apontada como segmento de maior queda, com pouco mais de vinte mil (20.317) vagas fechadas. Em 2018, porém, o setor tem saldo de quase onze mil (10.930) novos postos de trabalho. Uma variação positiva de 2,05%, na comparação com os quatro primeiros meses de 2017.
Segundo Antônio Carlos Alves dos Santos, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o resultado por ser explicado pela situação das grandes empresas de Construção Civil, afetadas por escândalos de corrupção.
“Para analisar a situação das empresas de Construção Civil em São Paulo – não só em São Paulo como no Brasil todo – precisamos olhar para investigações e escândalos da Lava Jato. Grandes empresas da área de construção civil estão em situação delicada, o que naturalmente impacta nos investimentos da área”.
Fernando Botelho, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, pondera que a Construção Civil também é prejudicada pela falta de previsibilidade econômica gerada pelas últimas crises enfrentadas pelo Brasil.
“A pessoa que está nessa decisão, nesse dilema se compra ou não um imóvel, ela pensa ‘eu posso perder meu emprego daqui a pouco’, ou, então, ‘uma das pessoas da família pode perder o emprego e a gente não vai ter o dinheiro para pagar a prestação’. Uma empresa também não vai construir uma fábrica nova, um galpão novo, se ela não sabe se vai ter demanda pelo produto dela lá na frente. E esse é o quadro que se coloca”.
Além do setor de Serviços e de Construção Civil, a Indústria de Transformação também registra saldo positivo em 2018, com mais treze mil (13.329) novos postos de trabalho criados. Na contramão destes segmentos, está o Comércio e a Agropecuária, com a perda significativa de empregos formais. Foram eliminadas 21.505 vagas no Comércio e 14.716 na Agropecuária.
Reportagem, João Paulo Machado