Quando se fala em HIV/Aids, logo se gera uma tensão no ar. Há quem pense que a doença ficou lá nos anos 1980, quando grandes nomes como Freddy Mercury e Cazuza morreram. Mas a verdade é que neste mês de dezembro comemoramos 30 anos do primeiro dia Mundial de Luta contra a Aids, com muitos avanços tecnológicos e pesquisas. O que não dispensa de forma nenhuma a prevenção, é claro. Até 2016 o Distrito Federal tinha registrado cerca de 10 mil casos de pessoas com HIV. Aproximadamente sete mil e seiscentos homens, e duas mil mulheres. No caso das mulheres, ainda há uma outra preocupação quando o assunto é gravidez. Leticia Reis, de 40 anos, nome fictício dado a pedido da entrevistada, por exemplo, é uma técnica em radiologia que está grávida do seu segundo filho. Ela conta que a diferença no cuidado entre as duas gestações é gritante. Isso porque, só depois do primeiro filho, teve contato com o vírus da Aids.
“No meu primeiro filho foi assim, totalmente diferente porque eu não tinha essa rotina de muitos exames, de muita preocupação. E, com esse, não. Com esse, eu sempre preciso estar sendo acompanhada pelos médicos. O medo foi de: ‘O que que vai ser o futuro dessa criança?’ Eu imaginei assim: ‘Ele vai nascer com essa doença’, mas aí depois eu fiquei vendo em várias reportagens em relação à grávida com HIV... Então, quando você tiver a carga viral indetectável, geralmente o filho não vai nascer com a doença, entendeu?”
E a Letícia está certa. De acordo com Leandro Machado, médico infectologista da rede particular do Distrito Federal, assim como pacientes que vivem com o vírus, que conseguem manter a carga viral indetectável por meio do uso contínuo dos antirretrovirais, gestantes que fazem corretamente o pré-natal podem impedir a contaminação de seus recém-nascidos.
“Aproximadamente 75% das pessoas que têm HIV, elas sabem do diagnóstico. Então, a principal causa de transmissão vertical é quando a mãe não sabe que tem esse diagnóstico. A carga viral, quando ela é indetectável, diminui muito a chance de transmissão, próximo a zero. Então, a primeira coisa que a mãe que sabe que tem HIV, ela tem que fazer, é tomar o medicamento de forma correta pra que a carga viral dela seja indetectável.”
Só neste ano, o DF registrou 45 casos de gestantes que têm o vírus HIV. Nos casos da transmissão vertical (da mãe para o bebê), até 2017, a região Centro-Oeste havia sofrido redução de 40% nos casos. Os dados superam a tendência nacional, onde nos últimos dez anos foi registrada uma queda de 34% no número de transmissões. Portanto, mamães, não esperem para garantir a saúde de seus filhos. Os testes rápidos podem ser feitos na Rodoviária do Plano Piloto, no Centro de Testagem e Aconselhamento.
Use sempre camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada no SUS e proteja-se. 30 anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.