Trinta anos desde que o Brasil e o mundo entraram na luta contra a aids há, de fato, o que comemorar. Em quatro anos, a taxa de mortalidade passou de 5,7, a cada 100 mil habitantes, para 4,8 óbitos. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde também mostra uma diminuição significativa na transmissão vertical do HIV, que é quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção reduziu em 43% entre 2007 e 2017, caindo de 3,5 casos para 2 por 100 mil habitantes. Mas, para Maria Letícia Ikeda, coordenadora adjunta do Programa de Combate à Aids do Rio Grande do Sul, muitos casos ainda são identificados tarde, quando o vírus já está em um estágio avançado, e a pessoa adoece. A doutora considera que ainda são poucas as pessoas que têm a preocupação de fazer exames rotineiramente para ver como vai a saúde.
“Eu considero muito baixo ainda, tendo em vista a quantidade de diagnósticos tardios que a gente tem observado. A gente sabe que um diagnóstico é tardio quando a gente avalia o primeiro CD4, a primeira contagem de linfócitos de CD4, que é o espelho que representa a defesa. Quando a gente vê a contagem a gente sabe que o diagnóstico está tardio. Nossa média de diagnóstico tem sido, ainda, de CD4 abaixo de 300. O primeiro da vida da pessoa. Então isso indica que as pessoas estão se testando tarde.”
Uma servidora pública de Tocantins, de 32 anos, que prefere não se identificar, conta que foi diagnosticada no início de 2017. Ela se queixa que estava com fortes crises de infecção há algum tempo e que se consultou várias vezes, mas nenhum médico suspeitou do HIV. Depois de ter perdido dez quilos durante o curto período das férias de fim do ano, um médico que acompanhou todo processo, suspeitou do HIV. Ela lamenta o tempo que levou até receber o diagnóstico.
"A divulgação é muito pouca sobre isso. Na época, até falei que eu fiquei muito revoltada. Porque eu sempre fui de cuidar da minha saúde. Eu sempre fui de ir ao ginecologista, de seis em seis meses, fazendo minha prevenção, fazendo tudo. Então eu acho que até os médicos são omissos, às vezes. Deixam a desejar, porque não custaria nada ele falar: 'Vamos fazer um teste, e tal', sabe’? Despertar esse interesse no paciente porque, eu mesma, não tinha informação nenhuma sobre isso e nunca passou pela minha cabeça."
Quando foi diagnostica, a servidora pública já estava com aids. E o seu estado de saúde, bastante vulnerável a outras doenças por causa da baixa quantidade de defesa no organismo. Por isso, fique atento. Faça sua parte nessa luta. Use camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS, e proteja-se. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.